Imprensa

Guerra pelo controle da UMP é espetáculo lamentável e favorece os socialistas, diz Le Figaro

Os resultados da eleição do UMP, foram de novo contestados pelo ex-primeiro-ministro François Fillon.
Os resultados da eleição do UMP, foram de novo contestados pelo ex-primeiro-ministro François Fillon. REUTERS/Benoit Tessier

A direita "em pleno caos". Esse é a expressão usada pela imprensa francesa ao abordar o novo capítulo da guerra pelo controle do partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Depois de reconhecer sua derrota na disputa pela presidência da UMP (União por um Movimento Popular), o ex-premiê François Fillon voltou ontem a contestar o resultado da votação, agravando a crise no principal partido de oposição ao governo socialista.

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A direita é "forte demais", ironiza em sua manchete o jornal progressista Libération. Ilustrada com uma foto de arquivo do ex-premiê Fillon e de Jean-François Copé, eleito presidente do partido, se cumprimentando entre sorrisos, o jornal diz que a farsa continua na UMP.

A direita oferece "um festival de golpes e contra-golpes baixos", afirma o editorial ao se referir às acusações de fraude nas eleições internas do partido que deram a vitória a Copé. Depois de reconhecer a derrota, Fillon denunciou que votos de militantes de territórios ultramarinos não foram contabilizados e garantiriam sua eleição.
"Que vergonha e que desperdício", lamenta o jornal conservador Le Figaro em seu editorial. No momento em que a popularidade do presidente François Hollande despenca, a nota da França é rebaixada e o país vive uma polêmica por causa do casamento gay, os caciques da UMP se digladiam pela disputa de poder deixando os socialistas numa posição confortável.

Para os militantes, afirma Le Figaro, pouco importa quem vai decidir o futuro da UMP, mas eles querem ver urgentemente o fim de uma novela indecente que baixa o nível da política francesa.

O diário econômico Les Echos traz em sua manchete a constatação de que a França vai se tornar o país que mais vai cobrar impostos dos mais ricos. O Senado analisa nesta quinta-feira o projeto do orçamento que, entre outras medidas, prevê um imposto de 75% para quem ganha mais de um milhão de euros por ano.

O jornal comparou a cobrança de imposto de renda da faixa mais rica da população em vários países e constatou que na Europa a França é a única a decidir taxar os milionários para ajudar a diminuir o déficit público.
La Croix diz que o orçamento da União Europeia, que começa a ser debatido nesta quinta feira em uma reunião dos líderes europeus, em Bruxelas, relança na Grã-Bretanha a velha discussão sobre a adesão do país ao bloco.

Os ingleses se opõem ao orçamento apresentado. "To be or not to be na Europa", escreveu em inglês na sua manchete o jornal católico, em alusão à famosa frase do dramaturgo William Shakespeare.
 

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