UE/ Crise

Cúpula da UE termina sem acordo sobre orçamento

O primeiro-ministro britânico David Cameron que criou obstáculos nas negociações do orçamento da União Europeia, nesta sexta-feira (22) em Bruxelas.
O primeiro-ministro britânico David Cameron que criou obstáculos nas negociações do orçamento da União Europeia, nesta sexta-feira (22) em Bruxelas. REUTERS/Yves Herman

Os líderes europeus, reunidos em Bruxelas, fracassaram, nesta sexta-feira, na tentativa de chegar a um acordo sobre o orçamento da União Europeia de 2014 a 2020. Eles retomaram os trabalhos na sexta-feira de manhã depois de um dia inteiro de encontros bilaterais na véspera, mas não conseguiram resolver suas divergências.

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Os 27 chefes de Estado e de governo terminaram a reunião sem acordo, indicou uma fonte europeia. O presidente do Conselho europeu Herman Van Rompuy declarou que vai continuar o “trabalho” para buscar um “consenso”. “Um acordo será possível no começo do ano que vem”, afirmou durante uma coletiva de imprensa, indicando que os líderes convergem em muitos pontos. “Eu começarei as consultas na semana que vem”, disse.

Antes mesmo do começo do encontro, na quinta-feira, os líderes já reconhecima que um fracasso nesta etapa não era “dramático”, porque não há urgência em decidir o orçamento plurianual. Não foi possível chegar a um acordo sobre o montante dos cortes pedidos por alguns Estados membros e sobre a repartição dessas reduções de despesas entre as diferentes políticas europeias.

Grã Bretanha

O primeiro-ministro britânico David Cameron, que criou vários obstáculos para a conclusão de um acordo, disse hoje de manhã, antes da retomada dos trabalhos, que não “houve suficiente progresso” nesta etapa.

Ele denunciou o método empregado por Von Rompuy. “Não é o momento de fazer remendos, não se trata de mudar o dinheiro de um posto orçamentário para outro. Nós precisamos cortar despesas”, afirmou. Von Rompuy, teria sido acusado por representates britânicos, de “falta de preparo” para o encontro e de “dificultar as negociações”.

Em seu último projeto sobre o orçamento europeu, Van Rompuy manteve sua proposição inicial a 973 bilhões de euros, ou seja, 1,01% do PIB europeu. A proposta, bastante criticada, era de redistribuir os financiamentos retirados de alguns postos, para realocá-los em políticas mais afetadas pelos cortes.

A ideia britânica teria agradado a chanceler alemão Angela Merkel. Já o presidente francês François Hollande indicou que a Alemanha “não queria isolar a Grã Bretanha nas negociações e a França queria que os países da coesão, presos a políticas de crescimento e a uma política agrária comum, pudessem ser ouvidos”, declarou. Apesar disso, segundo Hollande, os dois países desempenharam “perfeitamente seus papéis para o progresso da Europa”.

“Não existe acordo na primeira tentativa”, disse o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, um veterano deste tipo de encontro.

Os 27 devem tentar chegar a um acordo novamente durante um próximo encontro no começo do ano que vem.
 

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