Egito/manifestações

Manifestantes continuam protestos contra presidente egípcio

Polícia egípcia utiliza bombas de gás lacrimogêneo para dissipar os protestos contra o presidente Mohamed Mursi na praça Tahir, neste domingo.
Polícia egípcia utiliza bombas de gás lacrimogêneo para dissipar os protestos contra o presidente Mohamed Mursi na praça Tahir, neste domingo. REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Violentas manifestações entre os opositores ao presidente egípcio Mohamed Mursi e as forças de segurança do governo tiveram sequência neste domingo nas proximidades da praça Tahir, no Cairo. Esta é primeira grande crise no país desde a eleição presidencial de junho, quando Mursi tornou-se o presidente após a queda de Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.

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Os confrontos se concentram no começo da rua Qasr al Aini, em frente à Universidade Americana do Cairo. Manifestantes enfrentam os soldados egípcios com pedras e estes respondem com bombas de gás lacrimogêneo.

Na praça Tahrir, onde os manifestantes estão acampados, eles entoam gritos de “abaixo o regime” e e "abaixo o poder do guia espiritual", em referência ao líder Mohamed Badia, do partido no poder Irmandade Muçulmana.

Na rua Qas al-Eini, a poucos metros da concentração de manifestantes, as forças de segurança começaram a construir uma barreira para proteger os prédios oficiais e conter os confrontos.

Do lado contrário, representantes da Irmandade Muçulmana divulgaram um comunicado sobre um protesto de massa dos partidários de Mursi para a próxima terça-feira na praça Midane, na capital Cairo. A poucos metros, na praça Tahrir, oponentes também programam uma grande manifestação para o mesmo dia.

Declaração constitucional

A revolta teve início na última quinta-feira com a publicação de um decreto presidencial que impede a dissolução pela Justiça da Assembleia Constituinte e da Câmara Alta do parlamento egípcio (Conselho da Chura), ambas reivindicadas pela oposição. Desta forma, Mursi conta com amplos poderes, “inapeláveis e definitivos” para realizar as reformas que desejar no país, inclusive no que concerne a redação de uma nova constituição.

Os opositores de Mursi o acusam de se comportar “como um faraó” e de colocar em risco a independência do poder judiciário, já que todas as suas decisões são agora incontestáveis e protegidas pela Justiça do país.

Em greve, o poder judiciário denuncia “um ataque sem precedentes” e fez um apelo de greve aos tribunais do país. De acordo com o juiz Issam-al-Togbi, assembleias gerais em 27 tribunais decidirão pela paralização.

Os tribunais de Alexandria e Beheira já anunciaram que estão em greve. Eles exigem a anulação da “declaração constitucional” para retornar ao trabalho.

 

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