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Imprensa critica amadorismo de Hollande após censura a imposto de 75%

Capas dos jornais de 1/8/2012
Capas dos jornais de 1/8/2012 RFI
Texto por: Adriana Moysés
3 min

Os jornais desta segunda-feira, 31 de dezembro, destacam em manchete as dificuldades que o presidente francês, François Hollande, enfrentará no próximo ano principalmente depois de ter tido medidas fiscais rejeitadas pelo Conselho Constitucional.

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O diário conservador Le Figaro e o econômico Les Echos usam a mesma palavra para expressar os problemas de Hollande: o líder socialista foi preso numa "armadilha" com a censura do Conselho Constitucional à alíquota de 75% de imposto de renda sobre os rendimentos superiores a 1 milhão de euros por ano (cerca de 2,7 milhões de reais). Le Figaro fala em "hipertributação" rejeitada, já que o Conselho Constitucional também vetou outras medidas consideradas "confiscatórias" em relação aos mais ricos, cobradas através do Imposto Sobre a Fortuna (ISF).

Trata-se de um grave revés para o presidente, afirma o Les Echos, assinalando que apesar de o governo estar prepararando um contra-ataque, as margens de manobra são reduzidas. Taxar os mais ricos foi uma promessa de campanha de Hollande e pelas dificuldades atuais, com o forte aumento do desemprego, o risco é que as camadas mais pobres da população se voltem contra Hollande por sua incapacidade de cumprir o prometido. Segundo Les Echos, as medidas anuladas pelo Conselho Constitucional representam uma perda de receitas fiscais da ordem de 400 a 500 milhões de euros (até 1,35 bilhão de reais) no orçamento de 2013, um montante considerado contornável pelo jornal.

Hollande terá de rever sua política fiscal, diz Le Figaro, aproveitando para criticar o que chama de amadorismo da equipe no governo em matéria tributária. Em editorial, o diário conservador afirma que as decisões do Conselho Constitucional só reforçaram a ideia que já se tinha da França no exterior: as medidas confiscatórias desejadas pelos socialistas acabam afastando os investidores do país. "O Conselho Constitucional fez um favor aos franceses; tomara que o governo tenha aprendido a lição", conclui o jornal.

Em sua análise, o diário católico La Croix afirma que o episódio é uma ocasião para Hollande lançar uma grande reforma fiscal, acompanhada das medidas sociais necessárias e esperadas pela população.

Libération critica duramente a equipe socialista: "o governo foi taxado de incompetente pelo Conselho Constitucional". Chega de medidas simbólicas, escreve o jornal progressista, insistindo para que em 2013 a esquerda aplique uma grande reforma fiscal redistributiva de renda.

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