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Pesquisador critica suspensão da Igreja Universal em Angola

Cartaz da vigília organizada pela Igreja Universal do Reino de Deus na capital angolana na virada do ano.
Cartaz da vigília organizada pela Igreja Universal do Reino de Deus na capital angolana na virada do ano. DR

O governo angolano decidiu suspender durante 60 dias as atividades da Igreja Universal do Reino de Deus no país. A medida foi tomada em resposta ao tumulto que resultou na morte de 16 pessoas durante uma vigília na virada do ano. O episódio comoveu o país mas a suspensão está sendo vista como inconstitucional. 

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As autoridades angolanas decidiram suspender as atividades da igreja no país enquanto as causas do acidente são apuradas. “Diante da gravidade dos fatos, com perdas de vidas humanas, o executivo ordenou a suspensão das atividades da Igreja Universal do Reino de Deus durante 60 dias, para que a Justiça possa continuar com suas investigações”, explica a presidência de Angola. O governo também decretou a suspensão de outras seis igrejas evangélicas que não são reconhecidas pelo Estado e “utilizam os mesmos métodos que a Universal”.

Nelson Pestana, pesquisador da Universidade de Luanda

O episódio ocorreu no dia 31 de dezembro, durante um evento organizado pela igreja brasileira na capital Luanda. Intitulada “Vigília da virada - Dia do Fim”, a cerimônia reuniu mais de 150 mil pessoas em um estádio com capacidade para receber apenas 30 mil. Várias pessoas teriam sido pisoteadas em um momento de pânico na hora da entrada no local. Segundo os dados divulgados pelo governo, 16 morreram e 120 ficaram feridos.

Em entrevista à RFI o pesquisador da Universidade de Luanda Nelson Pestana criticou a medida das autoridades. Segundo ele, a suspensão de uma igreja é inconstitucional e ao proibir a atividade da igreja do bispo brasileiro Edir Macedo o presidente José Eduardo dos Santos comete um atentado contra a liberdade de religião e do culto.

Criada em 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus está instalada em Angola desde 1991, onde é conhecida pela sigla IURD. Ela reivindica 400 mil fieis no país africano.
 

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