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Chipre/Crise

Após plano de ajuda, economistas criticam retenção de depósitos bancários no Chipre

A população do Chipre corre para efetuar saques após anúncio de taxação de contas bancárias.
A população do Chipre corre para efetuar saques após anúncio de taxação de contas bancárias. REUTERS/Yiannis Nisiotis
Texto por: RFI
4 min

Para ter direito a receber uma ajuda de 10 bilhões de euros da União Europeia e do o FMI, o governo do Chipre concordou em criar um tributo sobre os depósitos em contas bancárias no país. A medida urgente, porém, pode ser perigosa para a economia cipriota, estimam analistas. Com a reabertura dos bancos na próxima terça-feira, muitos temem pânico entre os correntistas.

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Neste sábado, o governo cipriota anunciou um plano de resgate da economia do país que está mergulhada na crise. O presidente Nicos Anastasiades declarou que a solução é “dolorosa”, mas foi a única encontrada para evitar o colapso do sistema bancário da ilha. O governo espera arrecadar 5,8 bilhões de euros com a medida. Ao saber do novo tributo, centenas de pessoas formaram filas nos bancos na manhã para sacar dinheiro, mas o bloqueio parcial das contas já está em vigor desde a madrugada de sexta-feira para sábado.

O desalento da população também é partilhado por economistas que temem que o Chipre, que é um importante centro financeiro internacional, veja uma debandada de investidores. “Os estragos podem durar por muito tempo”, avaliou Fiona Mullen, especialista na economia do país. “Os serviços financeiros e comerciais são os únicos setores que geram emprego e receitas fiscais. Agora, eles são penalizados duplamente: com o aumento dos impostos para as empresas e com a taxação dos depósitos”, ponderou.

Hubert Faustmann, um analista político alemão residente no Chipre, afirma que a experiência de taxar os depósitos bancários pode ter conseqüências “imprevisíveis”. “Os economistas não sabem como os investidores vão reagir e o que pode acontecer quando os bancos reabrirem na terça-feira”. Em entrevista à televisão local, o economista George Theocharides também se diz temeroso. “As consequências são ruins não apenas para o Chipre, mas para todos os países da zona do euro”.

Os credores do Chipre - leia-se o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia - determinaram a criação de um tributo em “caráter excepcional” para os depósitos bancários de cipriotas e estrangeiros residentes no país. Para valores abaixo de 100 mil euros (R$ 259 mil), a taxa é de 6,75%. Para valores acima de 100 mil euros, a taxa é de 9,9%. Há ainda uma retenção na fonte dos juros sobre as contas bancárias. Em relação à alta dos impostos para as empresas, ela pode variar de 10% a 12,5%.

A economia do Chipre é um abrigo para diversas empresas off-shore que sempre se beneficiaram de vantagens fiscais para a implantação na ilha. Atualmente, os ativos bancários depositados nos bancos cipriotas representam oito vezes o PIB do país. Segundo o Banco Mundial, o PIB do Chipre é de US$ 24, 69 bilhões (R$ 48,7 bilhões).

Neste domingo, o Parlamento do Chipre deveria debater sobre o plano de resgate internacional, mas, por causa de grandes desavenças entre os partidos, a sessão foi adiada para a segunda-feira. O presidente Anastasiades também decidiu adiar o seu discurso em rede nacional de televisão para a segunda-feira.
 

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