Crise/ UE

Presidente do Chipre defende plano de resgate antes de debate no Parlamento

O presidente cipriota Nicos Anastasiades defendeu a taxa sobre as contas bancárias em discurso em rede nacional, neste domingo (17).
O presidente cipriota Nicos Anastasiades defendeu a taxa sobre as contas bancárias em discurso em rede nacional, neste domingo (17). AFP PHOTO / PIO / CHRISTOS AVRAAMIDES

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiadis, defendeu o plano de resgate da União Europeia em discurso feito em rede nacional de televisão neste domingo. Para ter direito a receber uma ajuda de 10 bilhões de euros, o governo do Chipre concordou em criar um tributo sobre os depósitos em contas bancárias no país. O debate sobre o plano no Parlamento cipriota foi adiado para esta segunda-feira.

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“Escolhi a opção menos dolorosa e assumo o preço político por isto, para delimitar, na medida do possível, as consequencias para a economia e nossos compatriotas”, afirmou Anastasiadis.

O presidente também pediu aos partidos do Parlamento que tomem uma decisão e afirmou que ela será respeitada. O governo adiou para segunda-feira o debate no Parlamento sobre o plano de resgate, devido a desavenças entre os deputados para aprovar o texto.

Segundo o canal de televisão cipriota Sigma TV, Anastasiades teria dificuldades para garantir até mesmo uma maioria simples para sustentar o texto no Parlamento. Seu partido de direita, o Disy, tem apenas 20 das 56 cadeiras. O partido socialista Edek se opôs à medida no domingo a qualificando de “catastrófica”. O partido comunista Akel, que tem 19 cadeiras, rejeitou as exigências de Bruxelas em troca da ajuda quando estava no poder, antes da eleição de Anastasiades em fevereiro.

Mesmo os partidários do presidente, que fazem parte da coalizão governamental, não estão totalmente de acordo. O dirigente do Diko, de centro-direita, Marios Garoyian, indicou ter falado com o presidente sobre “buscar soluções alternativas”. O ex-presidente cipriota George Vassiliou pediu aos deputados que aceitem o acordo afirmando que era o único aceitável para os países da União Europeia.

A União Europeia e o FMI pediram ao Chipre que instaure um imposto excepcional de 6,75% a todos os depósitos bancários de menos de 100.000 euros e de 9,9% para valores superiores.

Segundo a Sigma TV, negociações estão sendo feitas com o Banco Central para que os bancos permaneçam fechados na terça-feira, depois do feriado nacional de segunda-feira, para impedir saques generalizados das contas.

Estrangeiros

O governo espera arrecadar 5.800 milhões de euros. As taxas serão aplicadas a todas as pessoas que vivem na ilha. Os ativos bancários no Chipre são oito vezes superiores ao Produto Interno Bruto (PIB). Várias empresas off-shore estão implantadas no país que tem os impostos mais vantajosos da União Europeia.

O presidente indicou ainda que continuaria lutando e que esperava que a União Europeia e o FMI mudassem sua decisão nas próximas horas, para proteger os pequenos investidores.

A medida atinge também milhares de britânicos e russos que moram e trabalham na ilha. Segundo estimativas de Moscou, os bens russos no Chipre chegam a mais de 20 bilhões de dólares. Londres anunciou uma compensação para os militares e funcionários britânicos que residem no país.
 

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