França/Escândalo

Jornais comentam demissão do ministro do Orçamento francês

Capa dos jornais franceses Le Figaro e Libération desta quarta-feira, 20 de março de 2013, sobre o escândalo envolvendo o ministro do Orçamento francês.
Capa dos jornais franceses Le Figaro e Libération desta quarta-feira, 20 de março de 2013, sobre o escândalo envolvendo o ministro do Orçamento francês.

As suspeitas de que o ministro do Orçamento da França, Jérôme Cahuzac, tenha tido uma conta bancária secreta na Suíça fizeram com que ele pedisse demissão nesta terça-feira. Esse assunto domina as manchetes dos principais jornais da França nesta quarta-feira, 20 de março de 2013.

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O diário econômico Les Echos afirma que a saída do ministro, "que era um elemento-chave da equipe de Hollande, vai enfraquecer o governo, em plena negociação com a Comissão Europeia para obter um prazo maior para a redução do déficit público a 3% do produto interno bruto".

O jornal analisa que o presidente François Hollande tomou uma atitude rápida para evitar um escândalo maior, mas afirma que essa demissão pode custar caro, bem no momento em que o governo prepara um novo plano de austeridade para o orçamento de 2014.

"Cahuzac: demissão chocante", é a manchete do conservador Le Figaro. O jornal de direita comenta que o ministro ocupava um lugar altamente simbólico no governo de Hollande. "Como manter em Bercy [onde fica a sede do ministério da Economia francês] um homem suspeito de fraude fiscal se sua missão consiste justamente em arrecadar novos impostos e perseguir aqueles que se recusam a pagá-los?", indaga Le Figaro em seu editorial.

O diário aproveita para criticar os planos do presidente Hollande de aumentar os impostos e afirma esperar que o sucessor de Cahuzac, Bernard Cazeneuve, "não demore demais para perceber que que as economias são a prioridade e que os impostos não podem subir até as alturas".

Já o jornal Libération diz em seu editorial que embora nada o obrigasse, Jérôme Cahuzac tinha a obrigação moral de se demitir a fim de não causar problemas para o governo e cumprir a promessa de "idoneidade" feita por François Hollande durante a campanha presidencial.

Mas o diário alerta que essa decisão "política" não deve pesar na "realidade judiciária" e que "nenhum elemento concreto prova atualmente que Jérôme Cahuzac tenha tido uma conta na Suíça". Libération lembra que por enquanto o ex-ministro é suspeito, não acusado.

O jornal ainda consegue achar o lado bom desse caso: "O choque político provocado pela saída de Jérôme Cahuzac pode ter duas vantagens para o governo: mostrar que ele é capaz de decidir rápido e provar às Cassandras que a justiça, supostamente às ordens do poder, trabalha de maneira independente".

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