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Indiciamento de Sarkozy pode comprometer seu futuro político

Nicolas Sarkozy após deixar o escritório do juiz em Bordeaux.
Nicolas Sarkozy após deixar o escritório do juiz em Bordeaux. AFP PHOTO / PATRICK BERNARD
Texto por: Cíntia Cardoso
3 min

O indiciamento do ex-presidente Nicolas Sarkozy é a principal manchete dos jornais  desta sexta-feira. Ele é acusado de ter abusado da "fragilidade" da herdeira do grupo L'Oréal, Liliane Bettencourt. O indiciamento de Sarkozy faz parte de uma investigação sobre financiamento ilegal da campanha que o levou à Presidência em 2007.  

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O jornal Libération, de esquerda, foi o que deu maior destaque e foi um dos primeiros sites a dar a notícia ontem à noite. Após uma longa acareação diante de ex-empregados da herdeira de Liliane Bettancourt nesta quinta-feira, Sarkozy saiu da posição confortável de "testemunha" para a de "indiciado", sendo suspeito de ter se aproveitado da fragilidade e da "generosidade" da herdeira da L'Oréal.

No ano passado, antes de deixar a presidênca e de perder a imunidade, Sarkozy forneceu à Justiça uma agenda de seus compromissos, relata o Libé. Nessa agenda, ele disse que se encontrou com Liliane, hoje viúva, e seu marido apenas uma vez em janeiro de 2007. A informação foi desmentida pelos ex-empregados da milionária, levando a justiça a decidir investigar melhor as relações de Sarkozy com a herdeira.

O jornal Le Parisien, que também traz o assunto com grande destaque na capa, avalia que o futuro político de Sarkozy está seriamente comprometido. Para uma fonte próxima do ex-presidente que quis se manter anônima, o indiciamento é um "terremoto" que pode mudar todos os planos do partido de Sarkozy, o UMP, para a disputa presidencial de 2017. Em nível jurídico, uma eventual condenação o ex-presidente poderia se traduzir em até 3 anos de prisão e 375 mil euros (R$ 971 mil) de multa.

Já no jornal Le Figaro, que é favorável ao ex-presidente, exibe uma capa mais discreta e há apenas uma pequena chamada sem fotos do ex-presidente. O tom da reportagem interna é de surpresa. Para o jornal, a participação de Sarkozy no caso parecia já encerrada, mas o que não se contava era com a obstinação do juiz Jean-Michel Gentil. Uma fonte anônima disse que o juiz é incansável na busca de provas. As declarações do advogado de Sarkozy merecem um espaço importante. Thierry Herzog disse que esse indiciamento é "incoerente" e "injusto". Agora é esperar pelos próximos capítulos dessa saga familiar que virou um assunto de Estado, diz o Figaro.
 

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