Brics/África do Sul

Série vai mostrar como vive classe média emergente nos países do Brics

Imagem do centro de Johannesburgo.
Imagem do centro de Johannesburgo. AFP/STEPHANE DE SAKUTIN

Uma equipe de cineastas brasileiros aproveita a realização da 5ª Cúpula de Líderes do Brics em Durban, África do Sul, nos dias 26 e 27 de março, para iniciar as filmagens de uma série de cinco documentários sobre a classe média emergente nos países do Brics.

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Adriana Moysés, em Johannesburgo

A série brasileira tem um conceito simples, mas promete revelar surpresas. A documentarista Julia Martins vai passar uma semana morando com uma família que mudou de classe social com a ascensão das potências emergentes em cada um dos cinco países do grupo. Julia, que é de Brasília, vai compartilhar o dia-a-dia desses novos consumidores e avaliar se os benefícios são de fato reais, ou se essa classe média emergente nada mais é do que uma classe trabalhadora precarizada pela globalização.

No caso de Johannesburgo, a família protagonista da série mora em Soweto, município pobre da periferia que ficou conhecido na época do Apartheid por ser foco de resistência antirracista e de protestos dos negros contra a política oficial de discriminação racial.

A série é produzida pela Cinevídeo Brasil, que tem escritório em Moçambique. O produtor moçambicano Moosa Jalla, que já morou em Johannesburgo, acha que nos últimos 20 anos de governo democrático o nível de vida da população sul-africana melhorou globalmente, mas a segregação persiste. Ele diz que a pequena parcela da população negra que ascendeu à classe média vive com mais perspectivas, quer consumir e exibir seu poder de compra, o que a série pretende mostrar.

Ouça entrevistas sobre a série brasileira

Na tarde deste sábado, 24 de março, a equipe filmava os sul-africanos fazendo compras num shopping do bairro de Sandton. Os shoppings da cidade costumam ficar lotados no final do mês, quando as pessoas recebem os salários. 

Se a vida melhorou para alguns, um quarto da população sul-africana continua desempregada. A falta de emprego formal é um problema crônico na África do Sul. O desemprego não parou de crescer nos útimos quatro anos, passando de 23% em 2009 para 25% da população no ano passado, com ligeira melhora (24,9%) no início deste ano. Esses dados oficiais são contestados e é possível que o desemprego afete de 30% a 40% da população. Para combater a falta de trabalho, que castiga principalmente os jovens, mesmo diplomados, o país teria de crescer a um ritmo de 5% ao ano, mas nos dois útimos anos o crescimento empacou em 2,5%.

A série de documentários sobre a nova classe média do Brics ainda não tem data de lançamento prevista.

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