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Ex-ministro é indiciado por lavagem de dinheiro e escândalo abala governo francês

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e Les Echos desta quarta-feira, 3 de abril de 2013
Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e Les Echos desta quarta-feira, 3 de abril de 2013
Texto por: RFI
4 min

O choque provocado pela confissão do ex-ministro francês do Orçamento, Jérôme Cahuzac, de que tinha uma conta na Suíça depois de negar as acusações de maneira categórica durante meses, domina as manchetes de toda a imprensa da França desta quarta-feira.

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O ex-ministro foi indiciado por lavagem de dinheiro de fraude fiscal e, na opinião dos jornais, o escândalo abala o governo do presidente François Hollande.

Para o Libération o ex-ministro Cahuzac é indigno. Depois de 4 meses negando sistematicamente a informação revelada pelo site de notícias Mediapart, Jérôme Cahuzac finalmente admitiu ter uma conta na Suíça. Sua confissão e o indiciamento na justiça, duas semanas após ter sido afastado do cargo, fragilizam o poder e ameaçam a credibilidade do presidente François Hollande e do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault que o escolheram para ser ministro do Orçamento.

É mais do que uma vergonha. Depois de mentir por tanto tempo, Jérôme Cahuzac não apenas manchou sua própria honra. Ele desqualificou toda o seu trabalho, abalou a credibilidade da palavra dos políticos e lançou sérias dúvidas sobre a autoridade do presidente da República, diz o editorial do Libération.
Para o jornal, o fato do socialista ter aberto uma conta na Suíça já revela uma moralidade política e pessoal bem duvidosa, mas que Cahuzac tenha aceito o posto de ministro em uma pasta responsável pelo combate à fraude e ao exílio fiscal é um erro imperdoável, afirma o jornal.

O Le Figaro reproduz em sua manchete o pedido de desculpas feito por Cahuzac a toda à classe política, aos franceses e até à sua família e amigos por ter provocado tamanha decepção. Em editorial, o jornal conservador diz que o caso Cahuzac tem um efeito devastador. Não há nada pior do que imaginar que um político socialista tenha mentido e ainda mais sobre um assunto envolvendo dinheiro e falta de ética, escreve o jornal, denunciando a hipocrisia de um partido cujo discurso defede uma prática política transparente e irrepreensível. No momento em que a França se afunda em uma crise econômica, não há nada mais grave do que generalizar a desconfiança sobre a classe política que surge com o caso Cahuzac, escreve o Le Figaro.

O presidente François Hollande e seu primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault estão sob pressão para explicar o que realmente sabiam sobre Jérôme Cahuzac, afirma o diário econômico Les Echos. Este é um duro golpe para o presidente socialista, já bastante enfraquecido pela baixa popularidade. A declaração do executivo francês de que se trata de uma "imperdoável falha moral" não convence a oposição. Eleito com a promessa de uma "República exemplar", o chefe de estado ficou profundamente abalado, sugere o Les Echos.

A mentira de Cahuzac atinge em cheio o presidente, escreve em sua manchete o Aujourd'hui en France. A confissão do ex-ministro é profundamente constrangedora para um presidente que tinha prometido um governo sem falhas. O jornal diz que a investigação da justiça continua e do ponto de vista penal, Jérôme Cahuzac poderá pegar uma pena máxima de 5 anos de prisão e condenado a pagar uma multa de 350 mil euros. Mas a pena pode dobrar se ficar comprovado que ele se beneficiou de algumas facilidades durante o exercício de uma atividade profissional.
 

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