Escândalo Cahuzac expõe sistema mundial de lavagem de dinheiro

O ex-ministro do Planejamento Jérôme Cahuzac, em 20 de março de  2013.
O ex-ministro do Planejamento Jérôme Cahuzac, em 20 de março de 2013. REUTERS/Charles Platiau
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Os jornais desta sexta-feira continuam repercutindo o escândalo de evasão e fraude fiscal envolvendo o ex-ministro do Planejamento francês, Jerôme Cahuzac. A imprensa informa que o presidente François Hollande exclui por enquanto uma ampla reforma ministerial, como exige a oposição, mas é consenso entre os editorialistas que o líder socialista está numa posição de grande fragilidade.

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O jornal progressista Libération diz em manchete que Hollande está cercado. Com o país mergulhado numa profunda crise econômica e social, o escândalo Cahuzac fez o chefe de Estado e seu primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault perderem ainda mais a credibilidade.

"O responsável número 1 é Cahuzac, mas não vai dar para o presidente e o primeiro-ministro virarem a página com um revés de mãos", escreve o Libération. Depois de Ayrault, o ministro com mais chances de cair é Pierre Moscovici, de Economia e Finanças, acusado de não ter investigado a fundo a existência da conta bancária de Cahuzac no exterior.

O diário comunista L'Humanité destaca em manchete o Offshore Leaks, a longa investigação revelada ontem sobre o sistema mundial de evasão fiscal publicada em jornais de vários países. A investigação foi realizada por uma associação de jornalistas independentes baseada em Washington. Segundo o L'Humanité, "as conivências entre o mercado financeiro e os políticos são o coração de um sistema que alimenta a austeridade"

Todo ano 40 bilhões de euros escapam da arrecadação fiscal, cita o L'Humanité, acrescentando que o escândalo Cahuzac expôs a crise de um sistema global. O Partido Comunista Francês exige uma sessão parlamentar para discutir o assunto.

Les Echos, jornal especializado em economia, informa que a confiança no presidente François Hollande atingiu o nível mais baixo de um chefe de Estado francês nos últimos 40 anos. Com 29% de popularidade, o que representa uma perda de 4 pontos em abril, Hollande já supera em impopularidade o ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Falando em Sarkozy, Le Parisien e Le Figaro informam hoje que o ex-presidente francês provavelmente não será processado por abuso de pessoa vulnerável, no caso da proprietária da L'Oréal, Liliane Bettencourt.

Apesar do indiciamento ocorrido em março, o Ministério Público de Bordeaux, encarregado da instrução do processo, enviou um relatório ao Ministério da Justiça informando não ter elementos conclusivos para oferecer a denúncia de que Sarkozy recebeu dinheiro ilícito de Bettencourt para financiar sua campanha eleitoral em 2007.
 

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