Acesso ao principal conteúdo
Governo/Itália

Em seu primeiro discurso, premiê italiano anuncia cortes nos salários dos ministros

O novo premiê italiano, Enrico Letta, durante discurso desta segunda-feira no Parlamento, em Roma.
O novo premiê italiano, Enrico Letta, durante discurso desta segunda-feira no Parlamento, em Roma. REUTERS/ Alessandro Bianchi
Texto por: RFI
4 min

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, anunciou na tarde desta segunda-feira, em seu primeiro discurso como chefe do Governo, a supressão do salário dos ministros que também forem parlamentares e que já recebam uma remuneração. Ele apresentou o programa de seu governo na Câmara dos deputados, antes de receber o voto de confiança das duas câmaras do Parlamento.

Publicidade

Em seu discurso, o premiê declarou que as políticas para relançar o crescimento na Itália não podem mais esperar. “A Itália morre devido à austeridade”, prometendo o progresso na economia do país “sem comprometer as finanças públicas”.

“A redução da pressão fiscal sem individamento será o objetivo permanente deste governo em todas as áreas”, prometeu Letta. Ele também anunciou a suspensão do pagamento de uma parcela de um imposto muito impopular sobre a residência principal, instaurada pelo governo do ex-primeiro-ministro Mario Monti, além de uma reforma “completa” do sistema de impostos italiano.

Para Letta, a União Europeia (UE) atravessa uma “crise de legitimidade” e deve fazer esforços para “se tornar um motor de desenvolvimento durável”, disse defendendo a ideia de uma “Europa Federal”. Caso contrário, segundo ele, “os riscos de uma não-integração serão imensuráveis”. Para mostrar que seu governo terá como prioridade o Velho Continente, ele também anunciou que suas primeiras viagens serão a Bruxelas, Berlim e Paris.

O chefe de governo também garantiu que a Itália respeitará seus compromissos com a UE, mas que, em troca, espera uma maior flexibilidade por parte da Comissão Europeia para poder financiar as políticas para relançar a economia italiana.

O Palácio de Montecitorio, onde o primeiro-ministro discursou, teve sua segurança reforçada, após o tiroteio que aconteceu neste domingo no Palácio Chigi, sede do Conselho, na mesma região do Palácio Presidencial do Quirinale, onde o tomava posse o novo governo. O desempregado Luigi Preiti, de 49 anos, da região da Calábria abriu fogo contra a polícia que fazia a segurança do local. Um dos dois policiais atingidos pelo disparos se encontra em estado grave. Uma mulher grávida também foi ferida no incidente.

O homem afirmou ter planejado o ataque sozinho e o definiu como “um gesto surpreendente em um dia importante”. Preiti será apresentado ao juiz nesta terça-feira, quando vai ter reiterada a acusação de tentativa de homicídio.

O recém-empossado ministro do Interior, Angelino Alfano, tratou de descartar ontem qualquer relação do ataque com a nova administração italiana. Já o prefeito de Roma avaliou que o autor ddo crime é “um louco, desequilibrado”. Mas a presidente da Câmara, Laura Boldrini disse que é necessário investigar a causa desse “desespero”, estimando que “a crise transforma as vítimas em executores”.

Coalizão esquerda-direita

Muitos analistas estão céticos com a coalizão de esquerda e direita formada por Letta. Os mais pessimistas dão seis meses de governo para o novo gabinete, enquanto os mais otimistas arriscam no máximo dois anos.

Ao aceitar como vice-primeiro-ministro e número dois do governo, Angelino Alfano, braço-direito de Silvio Barlusconi, o premiê pôs fim a uma crise que durava dois meses, mas deixa os defensores da ortodoxia econômica preocupados.

Para entrar no governo, o partido de Berlusconi, Povo da Liberdade, impôs condições consideradas perigosas para o saneamento das contas públicas, como o fim da taxa sobre bens imobiliários criada por Mario Monti. Outro motivo de preocupação é que Berlusconi aproveite esse retorno para limpar seu nome na justiça.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.