Suécia

Moradores da periferia de Estocolmo enfrentam polícia pela quinta noite seguida

Homem passa por carros incendiados em Estocolmo, na manhã desta quinta-feira, 23 de maio
Homem passa por carros incendiados em Estocolmo, na manhã desta quinta-feira, 23 de maio REUTERS/Fredrik Sandberg/Scanpix

Depois de Paris em 2005 e Londres, em 2011, é a vez da periferia de Estocolmo, capital da Suécia, se revoltar. Esta foi a quinta madrugada seguida em que aconteceram confrontos entre jovens de famílias imigrantes e e as forças de ordem.

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As cenas de violência dos últimos dias, com carros incendiados e pedras atiradas, mancham a imagem que a Suécia sempre teve de país aberto e tolerante e abala seu papel como modelo social para o resto da Europa. quinze porcento da população sueca tem origem estrangeira, principalmente de países como Síria, Afeganistão e Somália.

Apesar de o desemprego e o racismo motivarem a revolta, os protestos no bairro de Husby, noroeste da capital começaram, ironicamente, na noite em que a maior parte dos suecos comemorava a conquista do campeonato mundial de hockey no gelo. O hockey é um esporte de elite, até por conta do preço do equipamento. O gueto prefere futebol.

Mas o principal estopim da revolta parece ter sido a morte de um homem de 69 anos, abatido pela polícia, com um facão na mão, e o fato de que as investigações sobre o caso não caminharam.

Embora esteticamente, as periferias suecas, com seus jardins e áreas de lazer, não reflitam abandono à primeira vista, gueto é uma palavra que faz sentido, socialmente. De acordo com uma pesquisa do governo, cerca de um terço dos jovens de 16 a 29 anos nestas áreas não trabalha nem estuda.

Para o primeiro ministro de centro direita Fredrik Reinfeldt, os revoltados são hooligans. Mas uma responsável administrativa da região, Arne Johansson, afirma que o pior vandalismo é o que é praticado pelo governo. Ela fala das medidas econômicas que sustentaram o crescimento do país - como diminuição de benefícios sociais e impostos -, mas ampliaram a desigualdade.

"Macacos"
De acordo com testemunhas, a violência da polícia na repressão aos protestos piorou a situação. Alguns dizem ter ouvido policiais xingarem revoltosos de "macacos".

De acordo com um manifestante de cerca de 20 anos, tudo começou como uma brincadeira. "Mas, quando vi a polícia dando golpes de cassetete em todo mundo, agredindo mulheres e crianças, fiquei revoltado".

 

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