"50 milhões de desempregados nos países ricos é demais", diz o Les Echos

Capa dos jornais franceses Libération, La Croix, e Les Echos desta quinta-feira, 17 de julho
Capa dos jornais franceses Libération, La Croix, e Les Echos desta quinta-feira, 17 de julho

Os jornais franceses chegaram às bancas com manchetes variadas. Os índices de desemprego alarmantes nos países ricos, a transição política no Egito e a crise humanitária na Síria são alguns dos destaques.

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O diário econômico Les Echos diz em manchete, quase escandalizado, que os países ricos contam atualmente com 50 milhões de pessoas sem emprego, segundo dados divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). "É como se no meio da Europa tivesse surgido um país do tamanho da Holanda só com desempregados; é demais", escreve o Les Echos.

O jornal acrescenta que a tendência de aumento do desemprego não dá o menor sinal de inversão, e a situação é particularmente preocupante na zona do euro. Na mesma página, o Les Echos publica uma notícia surpreendente: nesta mesma Europa em crise social profunda, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, os grandes bancos europeus voltaram a ser altamente rentáveis, os mesmos que receberam bilhões de empréstimos dos governos com a crise financeira de 2007.
Um estudo mostra que em 2015 a rentabilidade dos grandes bancos vai chegar a 10%.

Atenção com os militares egípcios

Com a manchete "Por trás de um golpe de estado", o jornal progressista Libération analisa as circunstâncias que levaram à queda do presidente egípcio Mohammed Mursi e a promessa dos militares de colocar o país no caminho da transição democrática.

Os islamitas, partidários de Mursi, estão convencidos de que o golpe foi planejado, uma hipótese que o Libération não corrobora, mas o jornal argumenta que "é preciso ser muito ingênuo para acreditar que as Forças Armadas egípcias, formadas por uma casta de oficiais corruptos, que só pensam em manter seus privilégios, se torne guardiã do estado de direito e de uma nova revolução". O Libération denuncia o silêncio dos democratas egípcios diante dos manifestantes islâmicos mortos pelo Exército nos últimos dias durante os protestos pró-Mursi na cidade do Cairo.

Crise interna na rebelião síria

O jornal católico La Croix dedica sua manchete às disputas internas que enfraquecem a rebelião na Síria e provocam preocupação pela ascendência dos grupos radicais islâmicos no país. "O Exército Sírio Livre, braço armado da rebelião, está em pé de guerra com os grupos islâmicos jihadistas", diz o La Croix. No início da guerra contra o regime do presidente Bashar al-Assad, os combatentes islâmicos foram recebidos de braços abertos pelos rebeldes, mas com o tempo eles passaram a impor a lei islâmica aos sírios, deturpando o objetivo original da insurreição. A população síria tolera cada vez menos essa islamização do conflito e denuncia as prisões arbitrárias comandadas pelos radicais, em nome da lei islâmica.
 

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