JMJ Rio 2013

Vaticano diz não temer protestos durante visita do papa ao Brasil

Papa Francisco durante oração do Angelus neste 14 de julho de 2013; o Vaticano disse não ter preocupações com a segurança do pontífice no Brasil.
Papa Francisco durante oração do Angelus neste 14 de julho de 2013; o Vaticano disse não ter preocupações com a segurança do pontífice no Brasil. EUTERS/Alessandro Bianchi

O Vaticano garantiu nesta quarta-feira, 17 de julho de 2013, que não se preocupa com a segurança e a possibilidade de manifestações hostis durante a visita do papa Francisco ao Brasil na próxima semana. Durante sua estadia para participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, o pontífice vai circular várias vezes em um jipe aberto.

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"Vamos ao Brasil com confiança na capacidade das autoridades de administrar a situação. Sabemos que os protestos não são dirigidos contra o papa e a Igreja », explicou o jesuíta Federico Lombardi, durante entrevista coletiva após uma longa apresentação dessa primeira viagem ao exterior do papa Francisco, para a 28ª Jornada Mundial da Juventude.

O evento acontece entre 23 e 28 de julho. Mais de um milhão de jovens de 170 países, principalmente da América Latina, já chegaram ou devem desembarcar no Rio de Janeiro nos próximos dias.

Durante a entrevista, o padre Lombardi respondeu a questões sobre os custos da viagem do papa : "Quando há despesas, é para pagar alguém que fornece um serviço, para um evento que é recebido positivamente pela grande maioria da população. Esse dinheiro não é desperdiçado".

O porta-voz anunciou que o papa "não vai usar o papamóvel blindado" de seus predecessores. "É uma escolha do papa, em continuidade com o que ele faz aqui. Ele se sente bem em contato" com a multidão, explicou.

Um jipe Mercedes branco, que o pontífice costuma usar na praça São Pedro, e um outro jipe verde, de reserva, já foram encaminhados ao Rio de Janeiro.

Em comparação com a versão "mais leve" que o papa Bento 16 havia previsto antes de sua abdicação, "a programação foi adaptada, intensificada, enriquecida com certos eventos", disse o padre Lombardi.

Ele citou a passagem pelo santuário de Aparecida do Norte, "muito desejada pelo papa Francisco", e também a visita à favela de Varginha, onde o pontífice vai se deslocar a pé e entrará em uma casa para encontrar uma família local.

Como quando ele viajou no dia 8 de julho para a ilha italiana de Lampedusa a fim de encontrar imigrantes africanos, "as personalidades políticas não serão convidadas à favela", embora o papa "não se recuse a encontrar pessoas que possuem responsabilidades". Ele vai, aliás, encontrar algumas autoridades durante sua estadia.

Também estão previstos encontros com jovens presidiários e viciados em drogas e álcol. O papa ainda vai almoçar com doze jovens participantes e ouvir as confissões de alguns peregrinos.

No avião da Alitalia que o levará ao Rio de Janeiro, Francisco vai cumprimentar os jornalistas mas prefere não dar entrevistas individuais ou coletivas, tanto preparadas com antecedência (como era o caso com Bento 16) quanto espontâneas (como acontecia com João Paulo 2°).

"Se vocês fizerem perguntas de conteúdo – por exemplo, sobre os protestos – vocês irão contra a intenção dele", disse o porta-voz aos jornalistas, acrescentando que "o que o papa quiser dizer, ele dirá".

No Rio de Janeiro, Francisco falará principalmente "em espanhol e português, e talvez um pouco em italiano”.

O papa não planeja encontrar vítimas de padres pedófilos : "isso sempre foi feito quando as autoridades locais da Igreja pediam, quando o problema é muito sensível. Não creio que tenham pedido isso ao papa”, esclareceu o porta-voz.
 

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