Compra do Washington Post por fundador da Amazon intriga jornais

Última edição do Washington Post circula ao lado do anúncio da venda do jornal a Jeff Bezos, CEO da Amazon, nesta terça-feira, 6 de agosto de 2013, na capital americana.
Última edição do Washington Post circula ao lado do anúncio da venda do jornal a Jeff Bezos, CEO da Amazon, nesta terça-feira, 6 de agosto de 2013, na capital americana. REUTERS/Jonathan Ernst

A imprensa francesa desta quarta-feira, sete de agosto de 2013, está intrigada com a compra do Washington Post pelo fundador do site Amazon, Jeff Bezos. A maioria dos diários analisa a notícia que pegou todo mundo de surpresa e indica as dificuldades que atravessa a imprensa escrita atualmente. O Le Figaro também faz hoje revelações sobre a decisão dos juízes que resolveram indiciar o ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, por envolvimento em uma rede de prostituição.

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O jornal econômico Les Echos afirma que a compra por 250 milhões de dólares do prestigioso Washington Post pelo fundador da Amazon, surpreendeu todo mundo, inclusive as pessoas próximas de Jeff Bezos. O jornal diz que o negócio intriga e que todo mundo tenta descobrir os motivos que levaram o líder do setor do comércio on-line a comprar o quotidiano americano de referência. Les Echos avança como primeira explicação uma tentativa de Jeff Bezos de ter influência política. O jornal francês lembra que os gigantes da web são a cada vez mais vigiados nos Estados Unidos, principalmente por motivos fiscais. A Amazon, que até agora gastava muito menos do que Google ou Apple em lobbying, pode se servir do Washigton Post para aumentar sua influência, acredita o Les Echos. O diário aponta também um interesse econômico na transação.

Jeff Bezos não compraria o jornal em crise se ele não tivesse futuro, acredita o Libération que festeja em sua manchete: "imprensa escrita um investimento do futuro". O jornal de esquerda diz que a compra do Washington Post, célebre por revelar o escândalo do Watergate que derrubou o presidente Nixon, é uma homenagem da nova economia a um dos atores históricos da política americana.

O l'Humanité escreve que venda e a crise do Washigton Post, fundado em 1877, são a imagem da grave crise que atravessa a imprensa americana. O jornal comunista informa que as vendas do Post estão em queda livre e recuaram 7,2% este ano.

Para o Le Figaro, a compra do jornal americano pelo carismático Jeff Bezos, pioneiro da Web, criou uma onda de eletrochoque. No entanto, todos os diários franceses ressaltam que o fundador da Amazon tentou tranquilizar os jornalistas e garantiu que não fará grandes mudanças no diário.

Dominique Strauss-Kahn

Le Figaro de hoje também traz revelações sobre a decisão da justiça francesa de indiciar o ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, por envolvimento em rede de prostituição.

O jornal conservador teve acesso aos documentos que explicam os motivos do indiciamento de Strauss-Kahn e revela que os juízes descrevem o ex-diretor-gerente do FMI com o "rei da festa" que participou ativamente em uma rede de prostituição. A decisão foi tomada após dois anos de investigação no escândalo do "hotel Carlton" de Lille, revelado após a saída de Strauss-Kahn do FMI. O julgamento deve acontecer em 2014.
 

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