Política sobre ciganos continua dividindo governo francês

Capa dos jornais Le Figaro e Libération desta quinta-feira, 3 de outubro
Capa dos jornais Le Figaro e Libération desta quinta-feira, 3 de outubro

A divisão do governo Hollande sobre os romenos na França é um dos principais destaques dos jornais franceses desta quinta-feira, 3 de outubro de 2013. Os diários analisam a puxada de orelha inédita que o presidente francês deu ontem em seus ministros para tentar acabar com a cacofonia do governo, mas sem muito sucesso. O fim da crise na Itália, com o voto de confiança obtido pelo primeiro-ministro Enrico Letta no Parlamento, também está em destaque nos jornais de hoje.

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A imprensa informa que a divisão do governo francês foi provocada pelas declarações do ministro do Interior, Manuel Valls na semana passada sobre os ciganos romenos e búlgaros. A afirmação de Valls de que os ciganos têm “hábitos muito diferentes dos franceses e que devem voltar à Romênia e a Bulgária”, contrariando a posição dominante do Partido Socialista, provocou uma reação pública da ministra da Habitação Cecile Duflot, e irritou o presidente que viu mais uma vez sua autoridade contestada.

François Hollande pediu ontem a seus ministros para pôr um ponto final nas divergências. Para o Le Figaro, essa puxada de orelha tardia do presidente não dissipa o mal estar. O jornal conservador informa que as hipotéticas desculpas de Manuel Valls sobre suas declarações mantém as dúvidas sobre a unidade do governo. Para o Les Echos, François Hollande também não convenceu.

O LIbération critica Hollande e sugere que, na verdade, o presidente francês defende a mesma posição do ministro do Interior. O jornal de esquerda afirma que esse é um casamento arranjado e que ,antes de mais nada, François Hollande apoia Manuel Valls por estratégia política. Os dois homens são diferentes, mas complementares. Hollande precisa do durão Valls, cuja administração é aprovada por dois terços dos franceses, para atingir os eleitores da direita e da extrema-direita.

O comunista L'Humnité vai mais longe nessa análise e diz que Hollande absolveu Manuel Valls. O presidente não condenou as declarações do ministro do Interior sobre os ciganos e nem definiu uma linha ideológica sobre o tema que divide a maioria socialista.

Crise na Itália

O La Croix diz que Berlusconi surpreendeu e apoiou no último minuto o governo italiano, garantindo a continuidade de Enrico Letta como primeiro-ministro. Agora, o premiê tem margem para implementar as reformas econômicas necessárias para superar a crise na Itália, escreve o Les Echos. O jornal econômico diz que Enrico Letta defendeu ontem um novo pacto para garantir a estabilidade econômica e terminar as reformas constitucional e eleitoral. Enquanto isso, Roma continua sendo vigiada por Bruxelas, previne o Les Echos.
 

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