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Imprensa

Escalada da carga tributária revolta os franceses, diz imprensa

Uma faixa com os dizeres: "A Bretanha está morrendo" contra uma taxa sobre a circulação de veículos pesados em ponte na região da Bretanha na França.
Uma faixa com os dizeres: "A Bretanha está morrendo" contra uma taxa sobre a circulação de veículos pesados em ponte na região da Bretanha na França. REUTERS/Stephane Mahe
Texto por: Cíntia Cardoso
4 min

A imprensa francesa dá destaque para um assunto espinhoso: o aumento da carga tributária na França. Da imprensa econômica ao diário católico, todos colocam o assunto com destaque nas capas de hoje.

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O jornal Le Figaro coloca no título que o anúncio de novos tributos coloca a população em pé de guerra contra o governo. Na cesta de novos impostos, estão a "ecotaxe", uma taxa ecológica que incide sobre os proprietários de veículos pesados como caminhões que terão que pagar, em média, 13 centavos de euro (R$ 0,39) para cada quilômetro rodado. Os agricultores franceses, especialmente na Bretanha, se dizem revoltados com o tributo e têm protestado.

Na avaliação do setor rural francês, essa nova tributação vai encarecer os custos de transporte e, consequentemente, o preço final dos produtos. Outra polêmica é a taxa de 75% sobre os altos salários. Isso afetaria diretamente os jogadores de futebol que podem entrar em greve na semana que vem. A medida prevê a cobrança para os que ganham acima de 1milhão de euros por ano, o equivalente a 3 milhões de reais. 

Em editorial, o jornal econômico Les Echos carrega nas tintas e afirma que essa revolta dos agricultores contra os novos tributos é a maior da história recente da França. A mordida do Fisco francês também vai atingir alguns produtos financeiros que servem como uma espécie de poupança, o que deve também acirrar os ânimos da classe média. Para o jornal, o governo francês está sem "GPS" e trabalha em total descompasso com a população.

O jornal católico La Croix também entra no assunto, mas avalia que o governo acabou cedendo em alguns pontos nessa sua ofensiva tributária. Diante da pressão da oposição e dos protestos, o governo francês acabou cedendo e não vai sobretaxar os produtos financeiros mais populares, mas isso é pouco, avalia o jornal, para acalmar esse clima de hostilidade. Em editorial na capa, o diário argumenta que tanto a direita quanto a esquerda estão insatisfeitas com a política fiscal do governo que reflete a dificuldade que os socialistas têm para administrar as contas públicas.

Sem uma administração transparente e eficiente, quem termina pagando a conta são os contribuintes. E esse mal não é só francês. O jornal lembra que a Itália e a Espanha estão sufocadas pelo aumento da carga tributária.

Além dessa polêmica dos impostos, o jornal Aujourd'hui en France traz uma lista de outros motivos para esse desamor dos franceses em relação ao governo. Entre eles, estão o caso da expulsão da imigrante adolescente Leonarda e a mudança na grade escolar.

Lou Reed

Saindo da polêmica fiscal, o Libération coloca na capa Lou Reed que morreu ontem aos 71 anos. O jornal traz em três páginas um grande perfil do músico que se tornou uma lenda do rock. Sua voz única, seus textos marcados pela crítica social marcaram gerações. O jornal lembra que Lou reed nunca foi um sucesso comercial embora seus álbuns "Transformer" e "Berlin" sejam considerados até hoje obras-primas do rock.

 

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