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Imprensa

França estuda mudanças na abertura do comércio aos domingos

Jornais francesas destacam a polêmica em torno do trabalho dominical.
Jornais francesas destacam a polêmica em torno do trabalho dominical. RFI/Silvano Mendes
Texto por: Cíntia Cardoso
3 min

Trabalhar no domingo ou não trabalhar? Essa é a pergunta que aparece nas manchetes dos jornais dessa manhã. Hoje o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, recebe um relatório sobre o assunto que é uma das grandes polêmicas na política francesa.

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O jornal econômico Les Echos teve acesso ao relatório que avaliou os prós e os contras da abertura de lojas no domingo, um dos grandes tabus do comércio na França. O documento defende uma maior flexibilidade na lei atual e defende também a criação de zonas especiais onde o comércio estaria autorizado a funcionar aos domingos.

O governo insiste que o domingo não é um dia como outro qualquer e defende que a abertura de lojas não seja banalizada. Para o ministro do Trabalho, Michel Sapin, é preciso que a decisão de trabalhar aos domingos seja feita de forma ordenada e somente quando houver realmente necessidade.

Paris

No caso de uma cidade como Paris, essa abertura do comércio aos domingos poderia ser lucrativa. Pelo menos esse é o ponto de vista do jornal Le Figaro. O diário conservador ouviu lideranças políticas da esquerda e direita.

A candidata à prefeitura de Paris pelo UMP, Nathalie Kosciusko-Morizet, argumenta que a Torre Eiffel e os museus não são suficientes para manter os turistas na cidade. Como a grande maioria das lojas em Paris fica fechada no domingo, ela afirma que agências de turismo levam clientes para fazerem compras em Londres. Para a candidata, essa é uma perda de recursos para a França que recebe 83 milhões de turistas por ano. Mesmo a candidata socialista, Anne Hidalgo, afirma que é preciso rever essa lei que torna complicado o funcionamento de lojas aos domingos.

Direitos trabalhistas

Um dos pontos de conflito é a situação dos trabalhadores. O governo quer tentar fazer uma lei que seja a mais consensual possível e com garantias que os empregados sejam compensados pelo trabalho aos domingos.

Os sindicatos querem negociar ou um benefício financeiro ou mais folgas. Eles também querem que esse dia a mais de trabalho não seja imposto. O jornal Aujourd'hui en France foi, justamente, atrás da opinião dos comerciários. Um entrevistado que trabalha numa grande cadeia de móveis disse que praticamente todos os seus colegas são voluntários para trabalhar aos domingos e que esse esforço rende até 10% a mais de ganhos por mês.

Para o jornal La Croix, esses ganhos do domingo não são tão certos. O jornal que é católico defende, logicamente, que o domingo é um dia especial e diferente. O jornal lembra em editorial na capa que o domingo é o "dia do Senhor". Mas o diário usa também argumentos econômicos e se questiona como vai ser esse adicional pago aos trabalhadores e se todos serão realmente beneficiados. La Croix  teme que haja abusos e pressão dos patrões.

 

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