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Imprensa francesa

Economia informal explode na França com aumento dos impostos

O setor que mais emprega no negro na França é o de serviços domésticos, segundo o 'Le Figaro'.
O setor que mais emprega no negro na França é o de serviços domésticos, segundo o 'Le Figaro'. Getty Images
Texto por: RFI
4 min

O crescimento da economia informal na França e a intervenção militar do país na República Centro-Africana estão em destaque nas manchetes desta quinta-feira, 5 de dezembro de 2013.

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O trabalho não declarado explodiu na França, segundo o jornal Le Figaro. Em 2008, 13% dos franceses declaravam trabalhar sem registro, hoje eles são 33%, de acordo com o diário conservador que atribui esta situação ao aumento excessivo dos impostos no governo de François Hollande.

Até hoje, trabalhar sem recolher ao Tesouro era um esporte reservado aos gregos ou aos italianos, mas agora os franceses terão que fazer a faxina dentro de casa, escreve o Le Figaro em seu editorial. Não existe nenhuma estatística oficial, mas a França parece ter entrado em uma fase de economia informal que o maior sindicato de agentes do Tesouro avalia ser equivalente a 4% a 10% do PIB.

O setor que mais emprega no negro é o de serviços domésticos, que sofreu um aumento de carga tributária de 12% no governo socialista. É o salve-se quem puder diante da avalanche de impostos, diz o Le Figaro. O jornal espera que a reforma fiscal em estudo no governo resulte em uma redução dos impostos "para que os não precisem trabalhar escondido".

O diário econômico Les Echos aponta três erros graves na política econômica de Hollande. Erro n° 1: Hollande aposta na volta do crescimento. De acordo com uma pesquisa encomendada pelo jornal, 82% dos empresários não confiam numa retomada da economia em 2014. Pior: 44% acham que o ano que vem será ainda mais duro que 2013. A França deve registrar um crescimento dos atuais 0,2% para cerca de 1% no ano que vem.

Erro n° 2: a diferença em relação aos vizinhos vai se acentuar, já que a Alemanha deve crescer 1,7% em 2014 e a Grã-Bretanha, 2,5%.

Erro n° 3: da mesma forma que o relatório Pisa mostrou que a educação francesa precisa de uma reforma profunda, a economia também necessita. Está na hora de François Hollande trocar de software, recomenda o Les Echos.

Presença francesa na África

O diário comunista L'Humanité comenta a cúpula de líderes africanos convocada por Hollande nesta sexta-feira no Palácio do Eliseu. O tema será a segurança na África, mas para o L'Humanité o encontro vai servir para a França se reposicionar militarmente no continente africano. A cooperação militar para ajudar os africanos a desenvolver seus próprios meios de defesa será uma ocasião para a França, dona de uma indústria de defesa poderosa, reforçar sua presença econômica na África. É uma estratégia neoliberal que dá as costas ao desenvolvimento, critica o L'Humanité.

O Libération diz que com as recentes intervenções na Líbia, no Mali e agora na República Centro-Africana, a França volta a exercer o papel de "polícia" na África. O jornal admite que os países africanos vivem situações de emergência, que justificam às vezes um intervenção estrangeira, mas no caso da França existem interesses obscuros. Para o jornal progressista, falta uma reflexão profunda sobre o papel da França no contexto africano atual, já que a presença francesa nunca ajudou a melhorar o nível de vida dos africanos.
 

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