Brasil/Eleições

Dilma é favorita e deve vencer eleições presidenciais de outubro, prevê Les Echos

O artigo do Les Echos, afirma que a presidente Dilma Rousseff recuperou popularidade perdida durante as manifestações de junho passado.
O artigo do Les Echos, afirma que a presidente Dilma Rousseff recuperou popularidade perdida durante as manifestações de junho passado. Roberto Stuckert Filho/PR

Os jornais franceses desta quarta-feira tentam explicar o quebra-cabeça que representa as tentativas das autoridades francesas em proibir o espetáculo de um humorista considerado antissemita. O espetáculo "O Muro" de Dieudonné já foi proibido em várias cidades do país e o humorista decidiu entrar na Justiça contra o ministro do Interior Manuel Valls. O ano eleitoral na América Latina também está em destaque na imprensa francesa de hoje, com o jornal Les Echos anunciando a vitória dos presidenciáveis favoritos, como a brasileira Dilma Rousseff.

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O Les Echos está interessado nas várias eleições presidenciais previstas este ano na América Latina. O diário econômico francês diz que o ano eleitoral na região será importante. Nada menos do que sete eleições presidenciais e dez legislativas estão previstas em 2014.

As pesquisas indicam que os favoritos lideram com folga e o Les Echos afirma que a maioria dos países da América Latina deve continuar sendo governada pela esquerda. O jornal destaca a eleição em dois países, Colômbia e Brasil.

Dilma favorita

O artigo afirma que a presidente Dilma Rousseff volta a recuperar a popularidade perdida durante as manifestações de junho. Uma especialista ouvida pelo jornal, Rennée Fergosi, pesquisadora do Instituto de Altos Estudos da América Latina em Paris, lembra que foi a classe média que protestou nas ruas brasileiras exigindo melhores serviços.

"Mas essas pessoas continuam a votar na esquerda", analisa a pesquisadora. Se não houver novas contestações, Dilma Rousseff não terá problemas para vencer. A atual oposição brasileira é considerada fraca pelo jornal francês.

Sobre a Colômbia, o Les Echos aponta também a reeleição do presidente Juan Manuel Santos, um dos únicos dirigentes conservadores latino-americanos. Nas outras eleições presidenciais, no Uruguai, Bolívia, El Salvador, Costa Rica e Panamá, os partidos no poder devem eleger seus candidatos, prevê o diário.

Proibição de espetáculo antissemita

A polêmica na França sobre a tentativa do governo de proibir o espetáculo do controvertido humorista Dieudonné é grande. O comunista L'Humanité escreve que as interdições do espetáculo "O Muro" do humorista considerado antissemita se multiplicam. As apresentaçõs previstas em Nantes e Tours já foram proibidas, os prefeitos de mais t4 cidades devem decretar em breve a proibição, assim como o prefeito de Paris que pediu a interdição da apresentação prevista para o próximo dia 16 de janeiro na capital.

Os prefeitos seguem a orientação de uma circular baixada pelo ministro do Interior Manuel Valls, informa o Libération. As repetidas afirmações antissemitas de Dioeudonné em seus espetáculos estão sendo consideradas contrárias a dignidade humana pelas autoridades.

Queixa contra Manuel Valls

Em reação, o humorista, que em nome da liberdade de expressão já ganhou vários processos, decidiu atacar o ministro do Interior na Justiça. O presidente francês também entrou na batalha e pediu aos secretários de segurança para serem inflexíveis, ressalta o Le Figaro.

Essas medidas de interdição são contra-produtivas e beneficiam o humorista afirma o L'Humanité. Para o diário comunista, Dieudonné, que além de tudo é suspeito de fraude fiscal, passa a ser visto como vítima de censura pela opinião pública. L'Humanité aconselha o Estado a deixar a justiça agir. O Le Parisien diz que essa queda de braço entre Manuel Valls e Dieudonné preocupa o partido socialista.

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