Síria/massacre

Antes de reunião pela paz na Síria, relatório acusa Damasco de “massacre em escala industrial”

Montreux, cidade suíça que acolhe encontro Genebra 2.
Montreux, cidade suíça que acolhe encontro Genebra 2. Wikimedia CommonsVaghestelledellorsa, Paolo Steffan

Na véspera do início da reunião Genebra 2 de paz para a Síria, em Montreux, um relatório de ex-procuradores internacionais acusa Damasco de realizar massacres em grande escala e torturas. Baseado no testemunho e de fotos fornecidas por um desertor, o documento foi divulgado nesta terça-feira (21) pelos sites do jornal britânico The Guardian e da rede americana CNN.

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O relatório foi encomendado pelo Catar, que apoia os rebeldes sírios. Três ex-procuradores internacionais ficaram a cargo da redação do texto. A fonte, mantida em anonimato, denuncia a morte de 11 mil detentos, com base em cerca de 55 mil fotos feitas entre março de 2011 e agosto de 2013. As imagens fornecidas pelo ex-policial militar sírio foram analisadas por especialistas em medicina legal apontados por representantes do Qatar.

Negociações

O encontro na Suíça reúne pela primeira vez a oposição e o regime de Damasco diante das grandes potências para discutir o sangrento conflito sírio. Pressionada, a ONU retirou convite de participação ao governo iraniano, aliado regional do presidente sírio, Bashar al-Assad. A decisão trouxe de volta à mesa de negociações a Coalizão Nacional de Oposição síria, que havia ameaçado boicotar a conferência se Teerã participasse do encontro.

A ONU se justificou dizendo que o Irã se recusa a apoiar um governo de transição como prevê a "Declaração de Genebra" assinada pelas grandes potências em 2012. Teerã havia dito que participaria do encontro sem precondições definidas. Os negociadores sírios chegaram com grande atraso à Suíça na noite de terça, após horas retidos em escala em Atenas.

Irã vetado

O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghini, estima que sem o Irã as chances de pôr fim ao conflito "não são tão grandes". Para ele, uma solução global que não inclua todas as partes influentes dificilmente será encontrada.

A Rússia considera um "erro", mas não uma "catástrofe", a decisão da ONU de retirar o convite ao Irã. A afirmação foi feita pelo chanceler Serguei Lavrov, em Moscou. Segundo ele, a Rússia sempre defendeu a presença de todos os atores externos nas discussões.

França, Estados Unidos e Grã-Bretanha condicionaram a participação do Irã na conferência Genebra 2 ao apoio do país a um processo de transição política na Síria.

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