Genebra 2/Síria

Em Genebra 2, EUA descartam participação de Bashar al-Assad no governo de transição sírio

Lakhdar Brahimi (enviado da ONU e Liga Árabe), John Kerry (EUA), Ban Ki-moon (ONU) e Sergey Lavrov (Rússia), em Montreux.
Lakhdar Brahimi (enviado da ONU e Liga Árabe), John Kerry (EUA), Ban Ki-moon (ONU) e Sergey Lavrov (Rússia), em Montreux. REUTERS/Gary Cameron

A conferência de paz pela Síria, conhecida como Genebra 2, começou na manhã desta quarta-feira (22) em Montreux, na Suíça, com o objetivo de encontrar um governo de transição para o país após quase 3 anos de uma guerra que já fez 130 mil mortos. Na abertura do encontro, o secretário de Estado americano John Kerry se posicionou contra a permanência do presidente sírio Bashar al-Assad no poder. “Não é absolutamente possível que um homem que optou por uma resposta brutal contra seu próprio povo possa reencontrar legitimidade para governar”.

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Em seu discurso na abertura da conferência, Kerry avaliou que as negociações entre governo sírio e oposição serão “difíceis e complicadas” e descartou qualquer possibilidade que Assad permaneça na liderança do país. “Enxergamos uma única opção: negociar um governo de transição que nasça de um consentimento mútuo. Isso quer dizer que Assad não participará do mesmo”, reforçou.

“Um único homem e todos os que o apoiam não podem manter como refém uma nação inteira”, completou Kerry no discurso mais expressivo da abertura de Genebra 2. “O direito de governar um país não pode estar fundamentado na tortura, em explosivos e nem sobre os mísseis Scud”, disse, referindo-se ao arsenal utilizado pelo governo sírio para combater os rebeldes.

Oportunidade "histórica"

Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o primeiro a discursar nesta manhã, foi mais consensual. Segundo ele, o evento é uma “oportunidade histórica” para o governo sírio e a oposição dialogarem sobre um governo de transição no país. “Todos os sírios voltam os olhos para vocês hoje”, disse, ressaltando que tanto o regime como os rebeldes carregam uma grande responsabilidade diante de seu povo.

Em contrapartida, o secretário-geral da ONU reconheceu que encontrar um consenso entre as duas partes será um duro páreo. “Devemos enfrentar desafios extraordinários”, avaliou. Para alcançar os objetivos, Ban Ki-moon sublinhou que todas as potências internacionais farão “tudo o que estiver em seu alcance”.

Também durante a abertura da conferência, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, declarou que a principal tarefa de Genebra 2 neste momento é “colocar um fim a um conflito trágico”. Ele fez um apelo para que as autoridades não interfiram nas questões internas sírias e lamentou o veto da participação do Irã no encontro.

Governo de transição

A conferência tem um objetivo claro: definir um governo de transição: uma missão difícil e encarada com pouco otimismo por muitos líderes. No entanto, o processo pode começar com alguns acordos para aliviar o sofrimento dos civis e troca de prisioneiros.

De seu lado, a rebelião segue exigindo que Assad deixe o poder e seja julgado por um tribunal internacional por crimes de guerra. O presidente sírio, no entanto, se prepara para disputar a reeleição este ano.

Participação de 40 países

Genebra 2 conta com a participação de 40 países e organizações. O regime de Damasco é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Walid Mouallem. Já os rebeldes contam com o presidente da Coalizão Nacional de Oposição, Ahmad Jarba.

O secretário-geral das Relações Exteriores, Eduardo Santos, é o representante brasileiro na conferência. No comando das negociações, estão os chefes da diplomacia americana e russa, John Kerry e Serguei Lavrov, além de Ban Ki-moon, da ONU.

O grande ausente da conferência é o Irã, que inicialmente participaria do encontro, mas teve seu convite retirado pela ONU na segunda-feira (20). O veto de Teerã foi uma condição imposta pela Coalizão Nacional de Oposição síria para fazer parte da mesa de negociações.

A ONU explicou ter retirado o convite porque o Irã se recusa a apoiar um governo de transição como prevê a "Declaração de Genebra" assinada pelas grandes potências em 2012. Teerã havia dito que participaria do evento, mas sem pré-condições definidas.

Antes mesmo da conferência começar, o presidente iraniano Hassan Rohani, o principal aliado de Bashar al-Assad, disse que Genebra 2 já fracassou, de acordo com a agência de informação Irna.

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