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Imprensa

Brasileiros mais educados "não aguentam mais", diz escritor francês

Ativistas do movimento "Não vai ter Copa" manifestaram pela terceira vez percorrendo as Avenidas Brigadeiro Faria Lima, Rebouças e Paulistanas, onde participaram 1,5 mil manifestantes.
Ativistas do movimento "Não vai ter Copa" manifestaram pela terceira vez percorrendo as Avenidas Brigadeiro Faria Lima, Rebouças e Paulistanas, onde participaram 1,5 mil manifestantes. REUTERS/Nacho Doce
Texto por: Adriana Moysés
3 min

O jornal Libération publica nesta quinta-feira (20) uma análise sobre as recentes manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil. O texto é de autoria do escritor Sébastian Lapaque, autor do livro "La Convergence des Alizés" (convergência dos alísios, em uma tradução livre em português), cuja trama se passa no Brasil, e é publicado pela editora Actes Sud. Lapaque dá a sua visão sobre os protestos organizados em São Paulo pelo movimento "Não vai ter Copa".

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Logo no começo do artigo, Lapaque reproduz o testemunho de Thiago, um manifestante paulista: "Não adianta o governo fazer como se tudo estivesse bem. Eu não acho que vão conseguir segurar a revolta popular durante a Copa. A população brasileira não entende como construíram estádios novos em doze cidades do país, quando a Fifa queria apenas oito. Depois, esses estádios custaram o dobro, o triplo dos preços anunciados. Está muito claro para os manifestantes que os políticos e as empreiteiras encheram os bolsos de dinheiro de maneira nojenta."

Contrariamente às manifestações de junho do ano passado, em que milhares de brasileiros saíram pacificamente às ruas para reivindicar melhorias nos transportes, na saúde e educação, os protestos neste ano, segundo Lapaque, são "promovidos por minorias violentas e politizadas que exprimem sua revolta" com as condições do país. O escritor afirma que blogs, slogans e grafites nas ruas de São Paulo, apresentada como a capital financeira do país, dão um tom anarquista ao movimento. O governo aposta na repressão, mas não há garantias que essa estratégia dê resultados, estima o francês.

O artigo cita a "limpeza" feita pelas autoridades brasileiras nas 12 cidades da Copa, em que cerca de 250 mil pessoas, segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, foram forçadas a abandonar suas casas mediante indenizações "ridículas", para dar espaço às obras do Mundial.

Lapaque destaca que, se por um lado a presidente Dilma Rousseff tem diante dela uma oposição fragmentada e tende a ser reeleita em outubro, "a população mais educada não aguenta mais" a situação do país. O escritor francês considera "incrível" que os brasileiros, tão fanáticos por futebol, estejam torcendo para a Seleção ser eliminada logo na primeira fase da Copa na esperança que a população não seja "anestesiada" pelo evento.

"É bom saber que o povo brasileiro, que a gente acreditava ligar apenas para 'bunda, bola e cerveja', consiga enxergar os interesses dessa era comercial", conclui Lapaque.

 

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