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Ucrânia/crise

Manifestantes pró-Rússia proclamam independência da região ucraniana de Donetsk

Manifestantes pró-Rússia fazem a guarda do prédio do governo regional em Donetsk, tomado pelo movimento separatista, no leste da Ucrânia.
Manifestantes pró-Rússia fazem a guarda do prédio do governo regional em Donetsk, tomado pelo movimento separatista, no leste da Ucrânia. Reuters
Texto por: RFI
4 min

Uma nova escalada da tensão na Ucrânia foi registrada depois que manifestantes pró-Rússia proclamaram nesta segunda-feira (7) a independência da região de Donetsk, no leste do país. O anúncio acontece depois de um fim de semana conturbado no local, quando ativistas russófonos tomaram o controle de prédios públicos da administração e da segurança de cidades ucranianas próximas à fronteira com a Rússia. 

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De acordo com a agência de notícias Interfax, os manifestantes pretendem organizar um referendo sobre a independência da região antes do dia 11 de maio. Já o site de informações Ostrov afirma que os líderes do movimento separatista querem que a região seja integrada à Federação Russa.

Na cidade de Kharkiv, os manifestantes desocuparam os prédios hoje, mas a situação se degradou em Donetsk, onde eles montaram barricadas, substituíram as bandeiras ucranianas por russas e anunciaram a região como uma "república soberana". Muitos defensores pró-Rússia estão armados e um grupo atirou para o alto perto da sede da televisão regional. Eles também se confrontaram com ativistas que defendem a integridade da Ucrânia.

O canal de televisão ucraniano Kanal 5 mostrou imagens de manifestantes pedindo o envio de forças russas ao local - o que pode repetir os acontecimentos que levaram à anexação da antiga península ucraniana da Crimeia à Rússia, no fim do mês de março. O presidente russo Vladimir Putin já declarou estar pronto para defender "de todas as formas" a população russófona nas ex-repúblicas soviéticas e posicionou 40 mil soldados na fronteira com a Ucrânia. A polícia ucraniana, no entanto, recebeu a ordem de evitar ao máximo qualquer violência com os ativistas pró-Rússia.

Kiev acusa Putin de orquestrar rebelião

Diante da ameaça russa e da fragilidade do governo de Kiev, as autoridades ucranianas reagiram. De acordo com o primeiro-ministro Arseni Iatseniouk, a rebelião no leste do país estaria sendo orquestrada por Moscou para "desestabilizar" e "desmembrar" a Ucrânia. Já o presidente interino Oleksander Tourtchinov disse que a rebelião está trabalhando em conjunto com o serviço secreto russo para forçar um cenário similar ao da península da Crimeia.

A Rússia negou estar envolvida em qualquer iniciativa separatista. O ministério das Relações Exteriores russo declarou, através de um comunicado, que Kiev pare de os acusar por "todos os problemas da Ucrânia". “Se o tratamento irresponsável de um país, de uma nação, pelas forças políticas que se autodenominam como autoridades continuar, a Ucrânia terá, inevitavelmente, que enfrentar novos problemas e crises”, diz o documento.

Washington ameaça impor novas sanções

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, criticou Putin através de um comunicado emitido nesta noite e ameaçou aplicar novas sanções contra a Rússia, caso Moscou não coloque um fim a sua intenção de "desestabilizar" a Ucrânia. "Nós estamos observando os resultados das crescentes pressões russas", reitera o documento.

No dia 20 de março, a Casa Branca divulgou uma lista com vinte nomes, próximos a Putin, que tiveram seus bens congelados nos Estados Unidos. Na mesma época, o Conselho Europeu também aprovou medidas contra a Rússia, logo após a anexação da Crimeia - o que não surtiu nenhum resultado e ainda foi desdenhado por Putin, sendo motivo de piadas em Moscou.

De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, os ministros americano e russo das Relações Exteriores, John Kerry e Serguei Lavrov, respectivamente, discutiram hoje por telefone a possibilidade de realizar diálogos diretos em dez dias entre os Estados Unidos, a Rússia, a União Europeia e a Ucrânia para tentar resolver a crise de Kiev. O local e a data do encontro ainda não foram decididos.

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