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Caso Alstom ilustra declínio industrial da França, estima a imprensa

A sede da Alstom em Levallois-Perret, suburbio de Paris.
A sede da Alstom em Levallois-Perret, suburbio de Paris. REUTERS/Philippe Wojazer
Texto por: Adriana Moysés
3 min

Os jornais desta terça-feira (29) destacam em manchete dois assuntos que dominam o noticiário político há vários dias: hoje é o grande teste parlamentar para o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, já que a Assembleia deve votar seu projeto de economias de 50 bilhões de euros para os próximos três anos. O segundo tema nas manchetes é a venda do setor de energia da Alstom, um negócio estratégico para o governo francês, disputado pela americana General Electric e a alemã Siemens.

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O jornal com a melhor análise política sobre o caso Alstom é o diário de esquerda Libération. Segundo o jornal, mais uma vez o Estado francês encontra-se impotente diante de decisões do setor industrial que podem custar caro ao país, diz o editorial. "O presidente François Hollande foi enganado pelos industriais, que sequer o avisaram que o grupo, grande fornecedor do Estado, estava sendo desmembrado", escreve Libération.

O jornal lembra que o ex-presidente Sarkozy salvou a Alstom da falência e, agora, "Hollande treme diante da perspectiva de ceder uma divisão estratégica do grupo aos americanos". A divisão de energia da Alstom é fornecedora da companhia de eletricidade EDF, das centrais nucleares francesas, e dado relevante, tem uma enorme expertise em tecnologia de ponta.

Libération questiona se os governos podem fazer alguma coisa diante desses movimentos da globalização. E acha que sim, negociando contrapartidas quando não tiver mais jeito.

Já o Les Echos culpa o Estado francês por uma política industrial ineficiente que colocou o país em situação de declínio. De acordo com o diário econômico, o problema não se resume à perda de controle da Alstom para um grupo estrangeiro. Existe ainda a perda dos engenheiros e técnicos altamente capacitados, "uma fuga de talentos" que empobrece e fragiliza o país, estima Les Echos.

Valls faz concessões

Para aprovar seu plano de responsabilidade fiscal no parlamento, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, fez concessões à ala mais à esquerda do Partido Socialista, que não aceitou o congelamento dos benefícios sociais e das pequenas pensões de aposentadoria propostos na semana passada. Com isso, o jornal de oposição Le Figaro acredita que o plano de Valls será aprovado. Em seu editorial, Le Figaro afirma que alguns deputados socialistas descontentes podem se abster na votação, mas o plano será aprovado.

Le Figaro observa que a ala mais à esquerda do PS saiu vitoriosa dessa batalha com o governo, porque em poucos dias conseguiu convencer os franceses de que os cortes representam uma política de rigor draconiana, o que é completamente exagerado na opinião do diário. A França vai continuar tendo um sistema de proteção social generoso, se comparado a outros países.
 

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