Libération aponta responsabilidade de Obama na crise na Faixa de Gaza

Criança chora ao ver o local da explosão que matou pelo menos oito crianças e dois adultos no campo de refugiados de Shati, na zona norte da cidade de Gaza. 28 de julho de 2014
Criança chora ao ver o local da explosão que matou pelo menos oito crianças e dois adultos no campo de refugiados de Shati, na zona norte da cidade de Gaza. 28 de julho de 2014 REUTERS/Finbarr O'Reilly

A imprensa francesa analisa nesta terça-feira (29) a falta de perspectiva de um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza, com a intensificação dos bombardeios israelenses e a declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanhyahu de que o conflito será longo, até enfraquecer o poderio militar do Hamas. O jornal de esquerda Libération lamenta o imobilismo dos Estados Unidos na crise atual.

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O Libération informa que o Exército israelense e o Hamas se acusam mutuamente pela morte de oito crianças palestinas, ontem, num bombardeio perto da praia de Gaza. Segundo o jornal, o mundo assiste a uma sucessão de fatos trágicos e a questão que se coloca é saber se o presidente americano, Barack Obama, não seria o principal responsável por essa escalada de violência no Oriente Médio. Libération afirma que a Casa Branca já pensa num plano B. Agora que Obama perdeu o controle da situação e um cessar-fogo parece inviável, o presidente americano deverá fazer pressão para Israel conceder tréguas temporárias.

Libération afirma que a crise atual é resultado de outra relação que Washington não conseguiu tratar de forma satisfatória: a situação política no Egito, país que sempre foi o principal mediador dos americanos na região. Um diplomata da ONU ouvido pelo jornal afirma que a crise israelo-palestina é o maior fracasso da política externa de Obama.

Túneis abertos à imprensa

Le Figaro destaca que Israel tem levado jornalistas para visitar esconderijos de armas do Hamas. O diário conservador exibe a imagem de um túnel por onde transitaria o tráfico de armas para o movimento islâmico. A rede de túneis de Gaza também serviria de passagem para os combatentes palestinos atravessarem até o território hebreu.

O jornal publica o perfil de uma personalidade sinistra atualmente em Gaza: um homem que lava os cadáveres dos mortos nos bombardeios. Abou Tarroush trabalha no hospital Kamal Odwan, na Faixa de Gaza, e conta que já preparou 130 corpos para sepultamento segundo os ritos muçulmanos. Ele afirma que quando Israel acusa o Hamas de bombardear escolas da ONU e atingir crianças em seu próprio território, o objetivo da mensagem é destruir a união do povo palestino.
 

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