Ameaça de calote argentino preocupa imprensa francesa

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro, L'Humanité, Les Echos e Aujourd'hui en France desta quarta-feira, 30 de julho de 2014.
Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro, L'Humanité, Les Echos e Aujourd'hui en France desta quarta-feira, 30 de julho de 2014.

A ameaça de calote da Argentina é analisada pelos jornais franceses desta quarta-feira (30). Os diários explicam o impasse judiciário que ameaça a economia do país latino-americano. A nova bateria de sanções europeias e americanas contra a Rússia também é destaque na imprensa.

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Les Echos explica por que a Argentina está à beira da falência. O suspense sobre o calote argentino é manchete do jornal econômico francês, que publica um dossiê de página inteira sobre o país. Les Echos informa que o governo argentino trava uma queda de braço com os chamados fundos abutres em Nova York para tentar suspender a execução do pagamento de US$ 1,3 bilhão a esses credores.

Se um acordo não acontecer, a moratória provocaria uma queda de 3,8% do PIB argentino e um aumento da inflação que agravaria a recessão no país. No entanto, um especialista ouvido pelo jornal analisa que a moratória seria, por enquanto, a solução menos onerosa para a Argentina.

Com uma campanha apontada como nacionalista pelo jornal, Buenos Aires prepara a população ao "default" de pagamento, como em 2001. Mas nas últimas horas, o governo multiplicou os gestos de boa vontade visando um acordo nos momentos finais da negociação. A Argentina conta ainda com o apoio firme da China, Rússia e dos aliados do Mercosul. Les Echos questiona se neste contexto os fundos abutres irão correr o risco de serem vistos pela opinião pública mundial como os malvados e responsáveis pela falência argentina. Resposta em algumas horas.

População argentina tranquila

Aujourd'hui en France constata que apesar do calote parecer inevitável, os argentinos estão impressionantemente calmos. A explicação, segundo o jornal popular, é que a população está acostumada com situações de crise e não se sente atingida pela queda de braço entre o governo e os fundos abutres.

Uma agente de turismo entrevistada pelo diário acredita que um acordo para evitar o "default" será encontrado no último minuto, antes do prazo final esta noite. Essa solução milagrosa é comparada ao golaço de Messi, no último minuto do jogo contra o Irã, que classificou a Argentina para as oitavas de final da Copa do Mundo no Brasil.

Novas sanções contra a Rússia

A nova bateria de sanções europeias e americanas contra a Rússia é a manchete de capa do Libération e do Le Figaro. O jornal conservador informa que as novas sanções, que visam restringir o acesso dos russos ao capital europeu, a armas e tecnologia sensíveis, entram em vigor ainda esta semana.

Libération lembra que as duas primeiras baterias de sanções para punir a política russa na Ucrânia não tiveram efeito. Pela primeira vez desde o início do conflito ucraniano, os europeus e americanos adotaram medidas mais duras contra o presidente Putin. O jornal de esquerda diz que essas sanções, justificadas, demoraram e se pergunta se elas serão eficazes.

Putin não interrompeu sua estratégia de desestabilização da Ucrânia após a anexação da Crimeia. O presidente russo continua a surpreender e a desorientar os dirigentes da velha Europa que acreditavam que o continente estava apaziguado. A queda do voo da Malaysia Airlines obrigou os ocidentais a constatar que há uma guerra no leste da Ucrânia. A União Europeia, muito mais do que os Estados Unidos, tem que redefinir sua política em relação a Moscou para mostrar à Rússia o preço de seu isolamento, aconselha Libération.
 

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