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Aécio Neves precisará ganhar confiança dos pobres para vencer, avalia a imprensa francesa

Os jornais franceses Le Figaro, Les Echos e Libération destacam eleições no Brasil.
Os jornais franceses Le Figaro, Les Echos e Libération destacam eleições no Brasil. Reprodução sites Les echos/Libération/ Le Figaro
4 min

A imprensa francesa dedica nesta terça-feira (7) longas análises à campanha presidencial no Brasil. Libération prevê um segundo turno arriscado para a presidente Dilma Rousseff (PT). Le Figaro declara que a caça aos eleitores de Marina Silva começou tanto para Dilma quanto para Aécio Neves (PSDB), enquanto Les Echos sublinha que o resultado do segundo turno parece indefinido.

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A presidente Dilma continua favorita, segundo Les Echos, diário especializado em economia, mas Aécio Neves teve uma votação surpreendente e quem definirá o vencedor será Marina Silva (PSB) e os 22 milhões de eleitores que votaram na candidata ecologista. Para o diário, Marina vai "arbitrar" o segundo turno. Parte de seu eleitorado vai migrar para Dilma, outra parte para Aécio, e o segredo da vitória estará com o concorrente que atrair mais votos.

Economista boêmio

Le Figaro descreve Aécio como um "economista boêmio". "Ele passou boa parte de sua juventude nos bares do Rio de Janeiro, com belas mulheres a tiracolo, por isso ficou conhecido como playboy", diz o jornal conservador. Agora com chances de chegar à presidência, Le Figaro analisa detalhadamente o perfil do candidato.

De acordo com Le Figaro, Aécio só conseguiu a indicação do PSDB porque o partido não tinha outra alternativa. Ele é descrito como herdeiro de uma história política encarnada pelo avô, Tancredo Neves, mais do que um político com carisma próprio. "Nos bastidores de Minas Gerais, dizem que o Estado era, na verdade, governado pela irmã dele, Andrea", escreve Le Figaro. O jornal relata que o candidato retocou sua imagem recentemente, ao se casar com uma modelo 20 anos mais jovem, que deu à luz gêmeos.

O passado de "bon vivant" de Aécio poderá ser usado de maneira positiva na campanha, sublinha o jornal francês, "em contraste com a austeridade da presidente Dilma Rousseff".

Aécio terá o apoio da classe média, segundo Le Figaro, mas difícil será convencer as classes populares beneficiadas pelos programas sociais do PT. O tucano também terá de responder a acusações de corrupção e favoritismo familiar, acrescenta o jornal.

Batalha acirrada

O jornal de esquerda Libération informa que, segundo pesquisa Datafolha, 59% dos eleitores de Marina votariam em Aécio no segundo turno, contra 24% para Dilma. "A presidente tem razão de se preocupar", escreve o Libé, que questiona se Marina vai manter sua neutralidade no segundo turno, como fez em 2010. Também referindo-se a Aécio como um herdeiro e "playboy", o diário prevê uma batalha árdua para o tucano.

"No seu berço político, ele perdeu o governo do Estado para o candidato do PT. Para bater Dilma, Aécio terá de conquistar a confiança dos pobres do Norte e do Nordeste, apesar do rótulo de candidato que representa os valores e privilégios da elite brasileira", conclui Libération.

Les Echos lembra que, no segundo turno, Dilma e Aécio terão o mesmo tempo de campanha na TV. "Será um duelo duro, ao mesmo tempo clássico entre direita e esquerda." O jornal, de tendência liberal, destaca que Aécio pode ter esperanças, já que ontem a Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta de 5,63%, repercutindo positivamente a qualificação do tucano, após queda de 11,7% em setembro.
 

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