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Jornal francês destaca debate entre Dilma e Aécio na Bandeirantes

Primeiro debate entre os candidatos a eleição 2014.
Primeiro debate entre os candidatos a eleição 2014. REUTERS/Paulo Whitaker
Texto por: Elcio Ramalho
3 min

Ao analisar o debate da última terça-feira (14), realizado pela rede de televisão Bandeirantes, o jornal francês Libération se referiu ao confronto como um "pugilato verbal" ao invés de uma troca de ideias e discussão sobre programas de governo. O jornal diz que o Brasil se encontra em uma situação inédita, diante da vantagem do tucano no segundo turno, e profundamente dividido com a polarização do discurso entre votos de ricos e pobres.

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Libération inicia sua reportagem com a citação de um editorialista na imprensa brasileira que qualificou o encontro televisivo de "espetáculo deprimente", que lembrou "uma briga de recreio na escola".

Depois de assistir ao debate, a correspondente do jornal em São Paulo, Chantal Rayes, considera que a presidente Dilma Rousseff surpreendeu. Apesar de sua conhecida falta de talento para a oratória, a presidente candidata conseguiu responder a quase todas as acusações do seu adversário com contragolpes, entre elas a de que "mentia para se manter no poder". Segundo o jornal, nunca a polaridade entre PT e PSDB esteve tão forte no Brasil, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Voto baseado na renda

Conforme o jornal francês, é a faixa de renda que determina o voto dos brasileiros nesta eleição. "O Brasil terminou o primeiro turno como um país dividido: o norte e nordeste, pobres, votaram no PT, e o sul e sudeste, prósperos, foram conquistados pelo PSDB", escreve o jornal. "Quanto mais o eleitor é de uma classe abastada, ele vota Aécio, quanto mais pobre, Dilma", acrescenta.

Libération considera que a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, com 41,59%, dos votos foi "medíocre" e aponta como "fato inédito" a vantagem de Aécio, que foi segundo colocado e agora lidera as pesquisas com 46% dos votos contra 44% da presidente.

A dinâmica é mais forte para o candidato do PSDB porque ele conseguiu atrair o apoio de quase todos os candidatos derrotados, especialmente de Marina Silva, explica o jornal. A maioria dos eleitores da candidata ecologista, 66%, nem esperaram sua posição a favor do tucano para declarar o voto em Aécio Neves.

Libération lembra que a campanha da presidente Dilma Rousseff sofre com as denúncias de corrupção na Petrobras e pela situação econômica ruim do país, que teve sua previsão de crescimento revista para 0,3% pelo FMI.

O PT também tenta colar na candidatura de Aécio Neves a etiqueta de "elitista" e reforça sua estratégia com as recentes declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acusou os eleitores pobres de Dilma de serem "mal informados".

Diante de uma eleição presidencial muito apertada e cheia de reviravoltas, a tarefa de Dilma Rousseff é difícil, mas não impossível, conclui Libération.

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