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Diminuição de ajuda para famílias recebe críticas na França

Sede da Cnaf, o órgão que gerencia os benefícios sociais para as famílias na França.
Sede da Cnaf, o órgão que gerencia os benefícios sociais para as famílias na França. DR
Texto por: RFI
3 min

O anúncio de que o governo da França vai reduzir o benefício social para as famílias de classe média alta com pelo menos dois filhos é questionado tanto pela direita quanto por setores da esquerda do país. Segundo os críticos, a medida representaria o fim da universalidade da seguridade social francesa, um princípio intocado desde a criação do sistema de bem-estar social, em 1945.

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A partir de 2015, as famílias com renda mensal superior a € 6 mil (R$ 18 mil) vão receber a metade do auxílio concedido pelo governo para o sustento de duas ou mais crianças. O valor da ajuda vai passar dos atuais € 129,30 para € 65,65. As famílias que ganham mais de € 8 mil (R$ 24 mil) por mês sofrerão um corte ainda mais drástico – o total do benefício será quatro vezes menor do que é hoje. Essa faixa de salários é considerada elevada na França.

A decisão é mais uma tentativa do governo de enxugar os gastos públicos, em meio à crise econômica. Os cortes devem gerar uma economia de € 800 milhões (R$ 2,40 bilhões).

Na imprensa francesa deste sábado (18), o jornal conservador Le Figaro afirma que “as famílias de classe média não escondem a irritação” com a medida, depois de já terem sido atingidas por outras reduções de ajudas sociais. Em editorial, o diário argumenta que “a família, pilar da sociedade francesa, não merece tamanho desprezo”.

Taxa de natalidade

O principal argumento de organizações de defesa das famílias é o impacto da diminuição do auxílio na taxa de natalidade na França, a maior da Europa. A direita, a extrema-esquerda e os sindicatos condenam a quebra do princípio de universalidade da assistência social no país, segundo o qual todos os cidadãos têm direitos iguais, independentemente da renda.

Le Figaro lembra que o presidente francês, François Hollande, havia prometido que a austeridade não atingiria as ajudas sociais. O jornal destaca que a classe média, “que já têm dificuldades para suportar a alta dos impostos”, agora recebe mais este “golpe” do governo socialista.

Já o diário progressista Libération observa que os sindicatos temem que outros serviços públicos, como o acesso à saúde, se tornem proporcionais aos salários.
O jornal ressalta que Hollande era pessoalmente contrário à medida, mas acabou cedendo porque a maioria dos integrantes do Partido Socialista defende que os auxílios financeiros dados pelo governo sejam proporcionais à renda das famílias.

A atitude ocorre semanas depois de uma crise sem precedentes dentro do partido, entre a ala mais à esquerda e aquela mais próxima do centro, onde se situa o presidente. “Hollande se deixa lentamente, mas com convicção, escorregar para a esquerda”, diz o Libération.
 

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