Política econômica de Dilma continua incerta, diz jornal francês

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Reuters/Ricardo Moraes

O mistério sobre a nova equipe econômica a ser anunciada pela presidente Dilma Rousseff ganhou destaque no jornal especializado Les Echos desta sexta-feira (14). Com base em indicadores e análises de especialistas, o diário aponta riscos para o país ser rebaixado pelas agências de classificação de risco.

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O correspondente do Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier, fala que as dúvidas persistem no país sobre a política econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. O artigo começa repercutindo a saída da ministra da Cultura, Marta Suplicy, que deixou sua pasta atacando a política econômica do governo.

Em tom de ironia, Les Echos lembra que Suplicy espera que Dilma seja "iluminada" na escolha da nova equipe que deverá, segundo a ex-ministra, ser "independente" e “restaurar a confiança e a credibilidade do governo".

As críticas do secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, sobre a falta de diálogo do governo com os movimentos sociais e empresários também foram lembradas. Para o jornal, esses casos ilustram a dimensão dos problemas que cercam a presidente.

Sob pressão

Segundo Les Echos, Dilma está sob pressão há várias semanas e já descartou um dos nomes indicados pelo ex-presidente Lula, o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, considerado por ela “muito conservador”.

A saída da ministra da Cultura acontece no momento em que o governo faz uma “pirueta orçamentária” e muda os cálculos sobre o déficit primário, "uma maneira de manter as contas públicas no vermelho sem comprometer a lei de responsabilidade fiscal", afirma o diário.

Analistas citados pelo Les Echos estimam que a deterioração de alguns indicadores do Brasil já colocam o país na mira das agências de classificação de risco, como Moody’s e Standard and Poor’s. “O governo provavelmente vai tentar fazer o máximo possível para evitar o rebaixamento (pelas agências) porque seria muito custoso em termos políticos e econômicos”, afirma o economista Robert Wood, da Economist Intelligence Unit, citado pelo jornal.

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