Batalha pela presidência de 2017 começou com rival de Sarkozy vaiado

Capa dos jornais franceses Le Figaro e Libération desta segunda-feira, 24 de novembro de 2014.
Capa dos jornais franceses Le Figaro e Libération desta segunda-feira, 24 de novembro de 2014.
Texto por: Adriana Moysés
3 min

Começou a batalha pré-eleitoral no partido conservador francês UMP visando a eleição presidencial de 2017. O assunto é manchete nos jornais desta segunda-feira (24), após um encontro de militantes neste fim de semana na cidade de Bordeaux. Estavam presentes dois fortes "candidatos à candidatura" da UMP: o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro da era Chirac Alain Juppé, prefeito de Bordeaux.  

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O jornal Libération descreve o clima pesado do encontro. Militantes da UMP, partidários de uma nova candidatura de Sarkozy à presidência, vaiaram Alain Juppé em seu berço eleitoral, declarando aberta a guerra entre os dois pré-candidatos.

A UMP ainda não decidiu se fará primárias para designar seu candidato em 2017. Sarkozy não faz questão, pelo contrário. Ele acredita ser o candidato natural da direita por sua bagagem de ex-chefe de Estado e pelo apoio expressivo da militância. Já o rival Juppé defende as primárias, inclusive para formar uma aliança com os partidos de centro. Para o grupo de correligionários de Juppé, essa é a única maneira de chegar à frente da extrema-direita em 2017.

Primárias na UMP

Le Figaro lembra que o cenário ficará mais claro a partir de 29 de novembro, quando haverá eleições para a presidência da UMP. Sarkozy deve ganhar essa batalha, segundo o Libération, e, com o controle do partido nas mãos, talvez enfraqueça as primárias.

O problema, como assinala Libération, é que mesmo Sarkozy sendo eleito presidente da legenda, a UMP enfrenta uma guerra interna de caciques que pode levar à implosão do partido. Sarkozy chegou a cogitar, recentemente, em mudar o nome da legenda. Pode ser que o atual equilíbrio de forças não resista à votação de sábado próximo.

A realização de primárias para os militantes designarem o candidato à presidência é uma tendência na política francesa. O Partido Socialista (PS) foi o primeiro a utilizar essa medida, na eleição passada. François Hollande venceu cinco concorrentes internos no PS e depois bateu Sarkozy nas urnas, em 2012. Na opinião do Libération, todo partido republicano deve realizar primárias, seja ele de esquerda ou de direita.

O jornal estima que o militante com possibilidade de escolher seu candidato nas primárias repete o gesto no dia da eleição. O voto não é obrigatório na França e a experiência mostra que o eleitor boicota as urnas por se considerar desconectado do candidato.

Para Libération, a realização de primárias é a única maneira de barrar a extrema-direita de Marine Le Pen. Hoje, a líder nacionalista aparece em primeiro lugar na preferência dos eleitores nas pesquisas de primeiro turno para presidente.
 

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