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Paris está alarmada com nível de poluição de partículas finas

Poluição detectada em Paris na quinta-feira, 13 de março.
Poluição detectada em Paris na quinta-feira, 13 de março. REUTERS/Philippe Wojazer

O nível alarmante de poluição revelado pelo maior estudo já feito sobre partículas finas detectadas em Paris ganhou destaque nos jornais franceses que circulam nesta terça-feira (25). Métodos mais eficientes e aparelhos ultra sofisticados permitirem identificar esses poluentes cancerígenos microscópicos que são extremamente prejudiciais à saúde.

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A qualidade do ar na capital francesa é motivo de muita preocupação, aponta o estudo divulgado na segunda-feira (24). Segundo o Aujourd'hui en France, a taxa de micropartículas na capital francesa é tão elevada que, em seu pior momento, foi comparado à situação de estar fechado em um quarto de 20 metros quadrados com oito pessoas fumando ao mesmo tempo.

O pico recorde de poluição dessas partículas finas foi em dezembro do ano passado, quando a taxa registrada foi 30 vezes maior do que a média. “A cada inspiração, um parisiense inala dezenas de milhares de partículas finas ou ultrafinas. Elas são micropoluentes cancerígenos que podem parar no pulmão”, alerta o jornal.

A prefeitura de Paris, que participou do estudo, anunciou que no ano que vem vai lançar um plano para reduzir a emissão de poluentes. “O alvo principal é a frota de carros movidos a diesel. Eles são os maiores responsáveis pela emissão dessas micropartículas”, informa Aujourd’hui en France.

Perigosas e quase invisíveis

Le Figaro aponta outro problema relacionado às partículas finas. Além de serem nefastas para a saúde, elas são mais numerosas do que as partículas mais grossas e nem sempre são levadas em conta pela regulamentação.

Na medida em que os estudos e aparelhos se tornam mais sofisticados para medir a poluição, especialistas se tornaram mais capazes de detectar e conhecer os riscos para a saúde dessa poeira microscópica, sugere o jornal. O aparato tecnológico inclui um instrumento de precisão, o LOAC (Light, Optical, Aerosol Counter), em ação desde o ano passado, que é capaz de focalizar partículas finas inferiores a um micrômetro (0,001 milímetro).

Quanto mais finas, mais elas penetram no organismo. Especialistas ouvidos pelo Figaro explicam que as chamadas partículas grossas, superiores a 5 microgramas, ficam bloqueadas no nível do nariz. As de tamanho entre 1 e 5 microgramas atingem a traqueia e, as menores, penetram nas vias respiratórias.

“Esta poluição atmosférica está relacionada a muitas patologias como infarto, doenças respiratórias e até câncer”, escreve o jornal.

Paris toma medidas para enfrentar a poluição

Em fevereiro, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, deverá lançar um plano contra a poluição na capital e as discussões deverão ser difíceis, prevê Le Figaro. Entre as medidas polêmicas, está a criação de uma área de baixa emissão na cidade, com restrições de circulação diária para os veículos considerados mais poluidores.

Até 2020, todos os carros que trafegarem por Paris deverão respeitar normas mais restritas de emissão de partículas na atmosfera, avisa o diário.

Segundo Le Figaro, os resultados da pequisa mostram ainda que a França paga um preço muito alto por sua política de incentivo ao carro movido a diesel e também pela recusa em cobrar pedágios urbanos. “A medida, já adotada na Inglaterra, Suécia e Itália, já demonstrou ser eficaz para conter os índices de poluição”, conclui o jornal.

 

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