Clima/ONU

Conferência da ONU em Lima tem uma semana para esboçar acordo

A 20ª Conferência das Partes sobre a Mudança Climática (COP20).
A 20ª Conferência das Partes sobre a Mudança Climática (COP20). grupoperucop20
Texto por: RFI
3 min

A Conferência Mundial sobre o Clima da ONU entra, a partir desta segunda-feira (8), na sua semana decisiva. Especialistas e representantes de 195 países têm até a próxima sexta-feira para esboçar um acordo para limitar o aquecimento global que será votado na Grande Conferência de Paris, em dezembro do ano que vem.

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Apesar da urgência pedida no início do encontro, a maratona de negociações avança a passos lentos. Um dos pontos críticos está relacionado aos fundos para ajudar os países em desenvolvimento a combater o aquecimento global. Esses países pedem que as nações ricas e desenvolvidas esclareçam como vão financiar os US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020. Os países ricos querem dividir os esforços com as nações em desenvolvimento para combater o fenômeno.

Um relatório das Nações Unidas publicado recentemente alertou que os custos de adaptação dos países em desenvolvimento para enfrentar as mudanças climáticas são mais elevados do que os estimados anteriormente.

Distribuição injusta

No domigo (7), o instituto britânico Overseas Development publicou um informe denunciando que os países pobres e mais vulneráveis foram marginalizados nos últimos anos na hora de receber recursos para lutar contra as mudanças climáticas. A metade de um Fundo de quase U$ 8 bilhões criado em 2003 para os países em desenvolvimento foi parar na mãos de apenas 10 nações, entre elas Brasil e México, que receberam, cada um, US$ 500 milhões.

"México e Brasil aparecem entre os principais emissores de gases que provocam oe feito estufa, mas também têm enorme potencial em relação a energias renováveis", escreveu o informe.

No entanto países como Costa do Marfim ou Sudão do Sul, "com governos frágeis e afetados por conflitos, receberam menos de U$350 mil e U$700 mil, respectivamente", assinalou o documento.

O dado positivo destacado pelo Instituto é que os fundos para combater os efeitos das mudanças climáticas saltaram de U$3,8 milhões em 2003 para U$2 bilhões em 2014.

Reflorestamento na América Latina

Neste domingo em Lima, sete países da América Latina se comprometeram a reflorestar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020. O plano de recuperação foi apresentado em um ato paralelo à Conferência da ONU pelos ministros da Agricultura e do Meio Ambiente de México, Peru, Guatemala, Colômbia, Equador, Chile e Costa Rica.

O Centro Internacional de Agricultura Tropical estima que a América Latina possui 200 milhões de hectares de terras degradadas. O compromisso, conhecido como Iniciativa 20x20 terá apoio de US$365 milhões com recursos de investidores privados. O objetivo é reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa a partir do desmatamento e das mudanças provocadas pelo uso do solo.

De acordo com especialistas, a América Latina é uma das regiões do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas.

 

 

 

 

 

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