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Serviço cívico/França

Projeto de lei pode obrigar jovens franceses a se alistar em serviço cívico

Capa do jornal francês Le Figaro desta sexta-feira, dia 30 de janeiro.
Capa do jornal francês Le Figaro desta sexta-feira, dia 30 de janeiro. Reprodução Le Figaro
Texto por: Daniella Franco
4 min

Os principais jornais franceses desta sexta-feira (30) tratam sobre um projeto de lei de deputados socialistas que pretende tornar obrigatório o serviço cívico nacional para jovens. O número de franceses que partiram para a Síria e o Iraque lutar ao lado de grupos jihadistas, além do comportamento radical de muitos estudantes percebido por professores após os atentados em Paris, preocupa o governo, que se apressa em encontrar medidas que resgatem os valores republicanos do país.

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O serviço cívico já existe na França desde 2010, mas atualmente é voluntário e remunerado: € 574 euros (R$ 1.739). Hoje, cerca de 35 mil jovens trabalham junto às associações francesas em missões solidárias e cidadãs. Destes, apenas 17% são originários de comunidades mais carentes, que seriam o principal alvo do programa.

O projeto debatido pelos deputados socialistas prevê que todos os franceses de 16 à 25 anos sejam submetidos à obrigação de dedicar uma parte de seu tempo à comunidade em um período que vai de seis meses a um ano. E pretende ampliar a participação de jovens de comunidades mais pobres para 25%.

A obrigatoriedade do serviço cívico, para o jornal Le Figaro, é uma questão prioritária na França, onde até mesmo o alistamento militar é voluntário. "É somente tornando-o obrigatório que ele poderá ser eficaz. Acolhendo todos os jovens, meninos e meninas, de uma mesma faixa etária. E excluindo qualquer desculpa para não se engajar", publica o diário em seu editorial.

Após atentados

A obrigatoriedade era debatida desde meados dos anos 90 na França, mas voltou a ser discutida após os atentados em Paris, quando professores passaram a perceber a falta de valores republicanos entre os jovens. Durante o minuto de silêncio nacional realizado em todo o país após o atentado contra a redação do Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro, muitos jovens se recusaram a aderir ao movimento. Outros, como o caso do menino de 8 anos de uma escola de Nice, no sul da França, se manifestaram a favor dos terroristas autores dos ataques. A situação alarmou o governo, educadores e famílias, que buscam explicações para o fenômeno.

Muitos defendem que é preciso aumentar o acesso do serviço cívico aos jovens, sem torná-lo obrigatório. Mas, Le Figaro alerta que se ficar apenas na base do voluntariado, corre-se o risco de o serviço cívico ser considerado como uma espécie de primeiro emprego para os jovens. O diário conservador teme que essa seja uma estratégia do governo para diminuir o número de desempregados e dissimular a alta taxa de desemprego no país.

Obrigatoriedade custa caro

O jornal econômico Les Echos alerta que o projeto pode custar caro – razão pela qual uma boa parte do Executivo se opõe à obrigatoriedade do serviço cívico. Gerenciar 800 mil jovens por ano custaria € 3 bilhões (R$ 9 bilhões) aos cofres do Estado.

Em 2014, o montante investido no serviço cívico foi de € 170 milhões (R$ 510 milhões). Só para acolher todos os jovens voluntários, o Estado precisaria investir € 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) a mais por ano, de acordo com o jornal.

Opção

O jornal Aujourd'hui en France acredita na necessidade de tornar o serviço público uma opção para todos os jovens que quiserem participar. Obrigá-los poderia ser considerado como uma espécie de "punição".

Esta possibilidade deve ser, aliás, o principal assunto da coletiva de imprensa que o presidente François Hollande concede na próxima quinta-feira (5). "Por enquanto, Hollande ganha tempo e observa", avalia o diário.

O presidente já garantiu que "todo o jovem que quer obter uma missão, vai consegui-la". Resta saber se há muitos interessados em se engajar em projetos cidadãos, no momento em que os sentimentos e as expectativas em relação ao país não são muito otimistas.

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