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Autor do massacre da Tunísia tinha "perfil ideal" para se tornar extremista, diz vizinho

Polícia cerca museu do Bardo, em Túnis.
Polícia cerca museu do Bardo, em Túnis. REUTERS/Zoubeir Souissi

O perfil dos autores responsáveis pelo atentado contra o Museu do Bardo na Tunísia revela, mais uma vez, a fragilidade de muitos jovens ao aderir às ideias dos grupos radicais islâmicos. Esta é a conclusão do jornal Le Parisien desta sexta-feira (20) ao investigar a origem e o estilo de vida de Yassine Abidi, acusado de ser um dos responsáveis pelo massacre.

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Os enviados especiais do jornal visitaram a casa onde vivia Yassine com seus familaires em um bairro modesto da capital, Túnis. Uma tenda branca foi montada em frente ao local para que a mãe do rapaz, em estado de choque, receba a solidariedade dos vizinhos.

Vizinhos de Yassine disseram ao jornal Le Parisien que ainda tem dificuldades em acreditar que o jovem discreto e com poucos amigos esteja implicado no ataque que matou 21 pessoas e feriu outras 44.

Outro acusado de promover o massacre é Hatem Kachanoui, também com pouco mais de 20 anos de idade. Ele é originário de Kasserine, uma cidade na região central da Tunísia e reduto de uma contestação contra o ex-ditador Ben Ali, em 2011.

O jornal lembra que os dois jovens foram apresentados pelo grupo Estado Islâmico como "dois cavaleiros do califado, Abou Zakaria al-Tounsi e Abou Ans al-Tounsi". Eles tinham armas automáticas e granadas e "semearam o terror no coração dos infieis na Tunísia muçulmana".

Perfil psicológico ideal para o jihadismo

Um dos vizinhos de Yassine Abidi contou ao Le Parisien que o jovem era religioso, mas sem ser radical. Ele trabalhava como motoboy e vivia com seus pais e irmãos. "Ninguém da família percebeu sua radicalização", afirmou Achraf Ayadi.

O vizinho revelou ainda que acompanhou todo o desenrolar do atentado pela televisão ao lado de um irmão de Yassine que defendia a morte dos jihadistas, sem imaginar que um deles era alguém de sua própria família.

Yassine não tinha uma personalidade forte e seu perfil era "ideal para se deixar seduzir por tudo o que circula na internet", disse Ayadi. Le Parisien lembra que os familiares de Yassine foram levados para a polícia para prestar depoimentos, assim como os parentes do outro jihadista, Hatem Kachanoui.

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