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Imprensa

Reforma visando ensino público menos elitista divide a França

Capa do jornal francês Libération, Le Figaro e Le Parisien desta terça-feira, 12 de maio de 2015
Capa do jornal francês Libération, Le Figaro e Le Parisien desta terça-feira, 12 de maio de 2015
Texto por: Adriana Brandão
4 min

A polêmica reforma do ensino fundamental na França é o principal destaque da imprensa francesa desta terça-feira (12). O texto do governo propõe a reforma do ensino público do 6° ao 9° ano, período ainda chamado de colégio nas escolas francesas. Os jornais tentam explicar por que o projeto da ministra da Educação socialista, Najat Vallaud-Belkacem, divide tanto a sociedade francesa.

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Poucas vezes uma reforma provocou tanta tensão no país, afirma Le Parisien, que tenta explicar tim-tim por tim-tim o conteúdo do projeto. A reforma do colégio deve entrar em vigor em setembro de 2016. Segundo o governo socialista, ela propõe uma nova organização do ensino, com o objetivo de garantir mais igualdade de chances a todos os estudantes.

A proposta foi apresentada no dia 10 de março pela ministra da educação e, desde então, é atacada por todos os lados. Os primeiros ataques vieram dos professores de latim e grego antigo, que acusam o governo de "acabar com o ensino dessas línguas mortas", consideradas elitistas, no colégio. A supressão do ensino do alemão também é temida.

O fim das salas bilíngues, a introdução de cursos interdisciplinares, com o ensino de várias matérias ao mesmo tempo, o reforço do apoio personalizado e uma maior autonomia das equipes educativas são outros pontos polêmicos. Os sindicatos dos professores já convocaram uma greve contra o projeto para o próximo dia 19 de maio, informa Le Parisien.

Latim e grego

O governo garante que o latim não vai desaparecer dos colégios franceses, escreve o Les Echos. “A reforma é indispensável e não coloca em risco o ensino nem do latim nem do grego”, afirma o premiê Manuel Valls ao jornal econômico.

Segundo o diário, as críticas foram orquestradas principalmente pela direita. Um grupo de 200 parlamentares de centro-direita, liderado pelo ex-ministro Bruno Le Maire, pede a retirada do projeto. Mas o texto também têm adeptos. Les Echos diz que os partidários da reforma preparam uma contra-ofesiva. O presidente de uma associação de pais de alunos entrevistado pelo jornal diz que a reforma é essencial para lutar contra a “triagem seletiva que faz hoje o colégio francês e que beneficia somente os bons alunos e as classes mais altas da sociedade.”

Le Figaro publica a entrevista de um grande filosofo francês sobre o tema. O jornal conservador entrevistou o respeitado acadêmico Alain Finkielkraut. Para ele, "essa reforma do colégio é um desastre". Finkielkraut denuncia uma "fúria anti-elitista" do governo, que retiraria de uma vez por todas da escola os valores republicanos.

Mas o texto também tem adeptos. Les Echos diz que os partidários da reforma preparam uma contra-ofesiva. O presidente de uma associação de pais de alunos entrevistado pelo jornal diz que a reforma é essencial para lutar contra a “triagem seletiva que faz hoje o colégio francês e que beneficia somente os bons alunos e as classes mais altas da sociedade.”

Igualdade x elitismo

E se a ministra da Educação, Naja Vallaud-Belkacem, tiver razão? Essa é a pergunta que tenta responder Libération. Igualdade ou elitismo? Esses dois conceitos, impossíveis de se conciliar em matéria de educação, marcam a batalha em torno do projeto, escreve o jornal. No fundo, o texto traz à tona a antiga e eterna luta entre direita e esquerda.

O projeto pode ter suas falhas, mas é necessário, avalia o editorial de Libération. Há 15 anos vários estudos internacionais, como o Pisa da OCDE, mostram que o desempenho do sistema educacional francês está em queda. Os bons alunos, que fazem latim, grego e alemão, continuam bons. Mas os estudantes que têm dificuldade, apresentam resultados cada vez piores.

O jornal considera que, ao contrário do que diz a direita francesa, o culpado por esta perda de qualidade é justamente o atual sistema elitista educacional, que exclui cada vez mais os alunos em dificuldade. A reforma da ministra da educação defende a escola pública única, ponto central de uma política educacional inclusiva que funciona em outros países europeus, conclui o editorial.
 

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