Expo Milão 2015

Será que o futuro da moda está nos nossos alimentos ?

Vestido apresentado pela estilista Ditta Sandico é feito com fibra de bananeira.
Vestido apresentado pela estilista Ditta Sandico é feito com fibra de bananeira. DR

A exposição Textifood, que faz parte da programação paralela da Expo 2015 de Milão, apresenta as sinergias possíveis entre o mundo da moda e da alimentação. De forma lúdica, a mostra explica como uma série de espécies vegetais e animais, muitas delas comestíveis, também podem ser usadas na criação têxtil.

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Enviado especial a Milão

Qual será o futuro da moda ? Essa é uma das questões que o público faz ao descobrir que o vestido apresentado na sala principal da exposição Textifood foi realizado com seda de fibras de bananeira. Ou ao se dar conta que outra criação, desta vez da estilista francesa Christine Phung e da designer têxtil Morgane Baroghel-Crucq, usa fibras compostas de escamas de tilápia.

A mostra faz parte da programação paralela proposta pelo Pavilhão francês da Exposição Universal de Milão, que tem como tema “Alimentando o planeta, energia para a vida”. E os exemplos de tecidos fabricados a partir de milho e beterraba (utilizados pelo estúdio de criação belga A+Z Design), ou da fibra da flor de lótus (aplicada nas bolsas da francesa Maison Dognin) apenas confirmam que o mundo das passarelas não está tão distante do agroalimentar.

Desenvolvimento sustentável

Ao reunir artistas e estilistas que trabalham a partir de fibras vindas de todos os continentes, Caroline David, comissária do evento, mostra que os alimentos (ou seus restos) podem ter várias utilidades, bem além da dimensão nutritiva. É o caso do uso de frutas cítricas na indústria agroalimentar que produz, a cada ano, mais de 700 mil toneladas de resíduos apenas na Itália.

Pensando nessa problemática, o instituto de pesquisas Orange fiber, instalado na Sicília, desenvolveu um tecido a partir da biomassa orgânica das frutas. O resultado, que também pode ser visto na Textifood, prova que alimentação, moda e desenvolvimento sustentável – outra grande preocupação da Expo 2015 – podem funcionar juntos.

Vestido de cerveja

Mas uma das peças mais inusitadas do percurso é a Beer Dress. Desenhado por Donna Franklin, o vestido realizado com cerveja é fruto do trabalho do pesquisador australiano Gary Cass, que desenvolveu um tecido a partir da mistura de uma bactéria (Acetobacter) com o líquido. O contato do germe com a bebida criou uma fibra sólida que tem praticamente a mesma textura que o algodão. A experiência segue a mesma linha do “vestido de vinho” outra descoberta de Cass que, em 2012, conseguiu criar um tecido a partir de vinho fermentado.

A mostra Textifood vai até 14 de julho no Palazzo delle Stelline, sede do Instituto Francês de Milão.

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