Resultado de eleições inicia era de incertezas na Turquia

O resultado das eleições legislativas na Turquia fragiliza o presidente islâmico-conservador, Recep Erdogan.
O resultado das eleições legislativas na Turquia fragiliza o presidente islâmico-conservador, Recep Erdogan. REUTERS/Umit Bektas

O recuo do partido AKP, no poder na Turquia, nas eleições legislativas realizadas no último domingo (7) é analisado pelos jornais franceses desta terça-feira (9). O resultado fragiliza o presidente islâmico-conservador, Recep Tayyip Erdogan, e anuncia um período de incertezas no país, dizem os jornais.

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Libération afirma que “uma era de incertezas começa na Turquia”. O recuo do partido islâmico AKP nas eleições legislativas de domingo afasta o sonho de Recep Erdogan de reformar a Constituição e implantar um regime presidencial na Turquia. Em sua manchete, o jornal anuncia o “declínio otomano”.

O AKP ainda é a principal força política do país, mas perdeu a maioria no parlamento pela primeira vez desde que chegou ao poder em 2002. O resultado fragiliza o presidente e seu silêncio, depois do anúncio do resultado das eleições no domingo, é a prova do fracasso do autoritário Erdogan, diz Libé.

A transição começa, mas ela será longa e caótica, acredita o diário. O AKP terá que formar um governo minoritário ou de coalizão em 45 dias. Se não conseguir aliados, novas eleições deverão ser convocadas em três meses.

Reinado de Erdogan vacila

Le Parisien afirma que o resultado das legislativas na Turquia ainda não significa o fim do reinado de Recep Erdogan, cujo mandato termina em 2019, mas seu "trono balança". O autoritarismo de Erdogan, recentes escândalos de corrupção, a desaceleração da economia e o papel da Turquia na guerra na Síria foram fatores que contribuíram para o recuo do AKP nas urnas. O resultado pegou as autoridades turcas de surpresa.

Le Parisien aponta que, para a imprensa turca, o grande vencedor das legislativas é o líder do Partido Democrático do Povo, uma sigla pró-curda, que pela primeira vez obteve mais de 10% dos votos e elegeu 79 deputados.

Le Figaro diz que o risco de crise política na Turquia, como nos anos 70 ou no final dos anos 90, é grande. Nenhum dos três outros partidos eleitos ao parlamento turco parece interessado em uma aliança com o AKP e um governo de coalizão entre os partidos de oposição parece impossível.

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