Acesso ao principal conteúdo

Absolvição de Strauss-Kahn revela falhas da justiça francesa

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn diante de seu apartamento em Paris. 12 de junho de 2015..
O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn diante de seu apartamento em Paris. 12 de junho de 2015.. Reuters/Gonzalo Fuentes
Texto por: RFI
3 min

A imprensa francesa analisa neste sábado (13) as consequências da absolvição do ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn do crime de proxenetismo. A sentença foi anunciada ontem no tribunal de Lille, no norte da França, quatro meses depois das audiências realizadas pela justiça. DSK, como é mais conhecido, se defendeu das acusações revelando detalhes sobre suas aventuras sexuais e negando ter conhecimento de que suas parceiras eram prostitutas.

Publicidade

Le Monde afirma que a absolvição de praticamente todos os réus no processo - 14 pessoas ao todo -, à exceção de um Relações Públicas do hotel Carlton de Lille, condenado a pagar multa de 12 mil euros por danos morais, revela problemas de funcionamento no Judiciário francês.

Na avaliação do jornal, o processo foi mal instruído e influenciado por considerações morais sobre as atividades sexuais de DSK e dos demais envolvidos. Houve confusão entre código moral e código penal, segundo Le Monde. A personalidade particular de DSK e o fato de ele ser adepto de práticas sexuais diferentes, em particular a sodomia, levou os juízes de instrução a concluir que as mulheres com quem ele se relacionava eram necessariamente prostitutas, assinala Le Monde, o que é um julgamento moral e não foi aceito pelo tribunal.

O diário conservador Le Figaro vai na mesma linha do Le Monde e nota que um dos três juízes instrutores do processo era "obcecado pela sodomia".

O diário popular Aujourd'hui en France diz que DSK foi absolvido porque não ficou provado que ele teve um "comportamento condenável" com as mulheres que participaram das orgias descritas durante as audiências. "Em seu veredicto, o tribunal lembra que DSK nunca negou que era adepto da libertinagem e agiu como um cliente que se beneficiou dos serviços sexuais fornecidos pelos amigos", reporta Aujourd'hui en France. O crime de proxenetismo supõe que o ex-diretor-gerente do FMI tivesse ganhado dinheiro com as mulheres com quem se relacionou, o que não ficou provado.

Aujourd'hui en France conta ainda que, durante todo o processo, DSK continuou recebendo apoio de alguns amigos, entre eles o primeiro-ministro Manuel Valls e a ex-assessora Michèle Sabban. Ela revela, inclusive, que depois do assédio que o economista sofreu na mídia "Dominique não tem mais vontade de voltar à política".

O jornal Libération assinala que os réus, "que tiveram a imagem manchada pela imprensa, foram absolvidos pela justiça". Em seu editorial, o jornal de esquerda afirma que os excessos cometidos pela imprensa na cobertura do caso devem ser corrigidos. Por outro lado, Libération defende o destaque dado ao caso, considerando que o silêncio teria sido pior.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.