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Impasse sobre crise grega reforça risco de calote

A Grécia está sendo pressionada por seus credores a fazer reformas em troca de uma nova parcela do empréstimo ao país.
A Grécia está sendo pressionada por seus credores a fazer reformas em troca de uma nova parcela do empréstimo ao país. AFP PHOTO/ LOUISA GOULIAMAKI
Texto por: Elcio Ramalho
4 min

O fracasso das negociações do final de semana entre a Grécia e seus credores é um tema comum entre os jornais franceses desta segunda-feira (15). As reportagens e análises expressam a preocupação cada vez mais concreta de uma eventual saída do país da zona do euro. O fracasso das negociações do final de semana entre a Grécia e seus credores é um tema comum entre os jornais franceses desta segunda-feira (15).

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Le Figaro estampa em sua manchete a frase que se tornou recorrente nas últimas semanas: "a Europa não exclui a saída da Grécia da zona do euro”. Diante do fracasso das discussões na noite deste domingo (14), em Bruxelas, a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, na próxima quinta-feira, é considerada decisiva para evitar o default de pagamento da Grécia.

Os 19 ministros do Eurogrupo estarão diante da última tentativa de um acordo antes de 30 de junho. Nesta data, lembra Le Figaro, Atenas deverá pagar uma dívida de € 1,6 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Caso contrário, o calote será anunciado e irá provocar, segundo o jornal, um "terremoto" na Grécia e uma transformação profunda na zona do euro

Contagem regressiva

O diário especializado em economia Les Echos informa que um acordo deve ser costurado nesta segunda-feira em Bruxelas para que seja submetido até quarta-feira para aprovação do parlamento grego. Ou seja, na véspera da reunião do Eurogrupo.

A manobra permitiria liberar a parcela de € 7,2 bilhões do plano de ajuda a Atenas. Considerando que o sinal verde seja dado, os parlamentos de outros países, como a Alemanha, deverão se pronunciar. Segundo o jornal, assim a Grécia poderia honrar, no último minuto, seu compromisso com o FMI no dia 30 de junho. Mas, com o fracasso das negociações ontem, ninguém descarta o calote. Segundo Les Echos, a chanceler Angela Merkel manobra para não ser considerada a responsável pelo fracasso.

Tabuleiro complicado

Libération fez uma analogia da situação grega com seus credores a um jogo de xadrez. As peças do tabuleiro se enfrentam em uma partida de muita paciência e estratégia, com os jogadores frente à frente, em um combate duro, mas atentos para não dar passos em falso.

A chanceler Angela Merkel, o presidente francês François Hollande, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, se movem em um tabuleiro que tem, do outro lado, o chefe de governo grego, Alexis Tsipras, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, e Pános Kamménos, líder do partido da direita radical Gregos independentes, único aliado do partido Syriza.

Diante dos credores, os gregos não mostram tanta coesão, segundo o Libé, e o primeiro-ministro teve até que remanejar a equipe de negociadores. Por outro lado, apesar de ter emprestado menos que os outros credores, o FMI é o mais intransigente com o governo de extrema-esquerda da Grécia. A instituição exige uma reforma imediata do sistema de aposentadorias e aumento de impostos para equilibrar as contas públicas.

Libération lembra que Angela Merkel e o presidente François Hollande tiveram que entrar ativamente no jogo para negociar diretamente com o primeiro-ministro Alexis Tsipras. Apesar de tantos envolvidos, o objetivo é um só: manter a Grécia na zona do euro.

 

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