Clandestinos pagam até R$ 7 mil para tentar chegar à Europa

A repatriação dos imigrantes ilegais, desde 2000, custaram mais de 11 bilhões de euros para a UE
A repatriação dos imigrantes ilegais, desde 2000, custaram mais de 11 bilhões de euros para a UE REUTERS/Antonio Parrinello

O jornal Libération se associou ao consórcio de jornalistas "Migrants Files" para revelar os custos humanos e financeiros da imigração ilegal na Europa. O diário traz, em uma extensa reportagem publicada nesta quinta-feira (19), dados inéditos sobre os valores gastos pelos governos no combate à imigração clandestina e também pagos pelos que arriscam suas vidas para tentar chegar ao velho continente.  

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A investigação do consórcio de jornalistas constatou que uma economia paralela se desenvolve nesse imenso mercado envolvendo vidas humanas em situação desesperadora: de um lado está a rede articulada em torno dos coiotes, que desde o ano 2000 teria movimentado € 16 bilhões  (R$ 55 bilhões), muitas vezes com a ajuda de governos.

O levantamento mostra que o preço para chegar à Europa varia de € 1.500 euros  (R$ 5.200) para quem sai do norte da África até € 2.000 (R$ 6.900) para os que partem do Oriente Médio.

 Por outro lado, os governos europeus já gastaram mais de € 13 bilhões (R$ 45 bilhões), incluindo os investimentos em novas tecnologias para identificar os migrantes, a construção de muros cada vez mais altos para evitar a entrada de clandestinos e principalmente para enviá-los de volta aos seus países de origem.

 Vítimas de guerras e perseguições

Libération esclarece que a investigação se refere apenas aos migrantes que tentam entrar no continente europeu por via marítima ou terrestre, e não por via aérea, que é a principal porta de entrada. E eles são cada vez mais numerosos.

Do início de 2015 até o dia 10 de junho, 105 mil clandestinos tentaram ingressar ilegalmente na Europa pelas estradas ou arriscando suas vidas no mar. No mesmo período do ano passado, eles eram 49 mil. Guerras e ditaduras explicam o aumento, diz Libération, citando que 39% dos clandestinos vêm da Síria e dos países árabes e 19% do Afeganistão.

"É um verdadeiro escândalo humanitário e muitos países, particularmente a França, insistem em desviar o olhar para esse problema", lamenta o jornal. Em seu editorial, Libération diz que abrir totalmente as fronteiras não é uma solução, "mas é necessário elaborar uma solução humana e realista a uma crise inédita na história das migrações do velho continente e que corre o risco de se agravar".
 

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