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Imprensa Semanal

Coronavírus, confinamento na Europa ou RDC, Angola e Mia Couto

Áudio 04:05
Coronavírus, confinamento na Europa, França, Itália ou RDC, Angola e Mia Couto e Uganda
Coronavírus, confinamento na Europa, França, Itália ou RDC, Angola e Mia Couto e Uganda © João Matos
Por: João Matos
9 min

Abrimos esta Imprensa Semanal com Coronavírus, a Itália entre a fatalidade e a solidariedade, tema de capa do semanário L'OBS.

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No país mais atingido da Europa, hoje laboratório do combate ao vírus, a população resiste, inova e dá provas de um civismo exemplar.

Lembrar-nos-emos dessa sexta sexta-feira, 13 de março, talvez, uma data histórica. Nesse dia, às 18 horas, os italianos confinados às suas casas escancararam as janelas, saíram para as suas varandas e cantaram Fratelli d'Italia, o hino nacional. Muitos tocaram guitarra, outros acordeão ou trompete numa espécie de vitalidade anti-vírus, anti-contágio e anti-catástrofe.

Uma forma de exorcismo sonoro contra o inimigo invisível e silencioso que dizima vidas italianas há dois meses. A palavra de ordem de solidariedade viajou de Roma, passando por Palermo até Nápoles e às redes sociais numa atmosfera de União nacional, sublinha, L'OBS. 

Também, LE POINT, faz a sua capa com o tema, titulando, como vivemos com o coronavírus. Numa espécie de Guia prático do corona resiliência revisita o sistema imunitário, hospitais, economia, geopolítica ou Darwin.

O filósofo, Marcel Gauchet, autor de "Desencanto do mundo", afirma em entrevista ao semanário que vamos ter de trocar de bateria. O equilíbrio do nosso funcionamento colectivo repousa na ponta duma agulha. O diálogo entre a sociedade e o poder tornou-se tão conflituoso que a prudência se impoe.

O Presidente Macron, tem razão ao tomar as coisas em mãos. Neste tipo de situações não há lugar para delegar. O princípio de responsabilidade tem de ser reafirmado e é uma exigência fundamental dos cidadãos, acrescenta o filósofo, num exclusivo ao LE POINT. 

Por seu lado, COURRIER INTERNATIONAL, destaca igualmente o coronavírus, escolas fechadas, confinamento generalizado, trabalho à distância, restrições de circulação, tudo o que vai mudar no nosso dia-a-dia. Enquanto isto, perante a ligeireza do francês médio, o governo do Presidente Macron foi obrigado a adoptar medidas drásticas, como confinamento ou teletrabalho. O Estado pagará e nenhuma empresa será obrigada a despedir pessoal declarou o Presidente Macron. 

Em relação à África, o mesmo COURRIER INTERNATIONAL, refere-se ao Uganda, os rebeldes perdidos de Joseph Koni. Sanguinário, o chefe do Exército da resistência do Senhor, semeou o terror durante 20 anos na África central.

 Hoje vive confinado a um pequeno território na fronteira entre o Sudão e o Sudão do sul e a Repúbllica  centro-africana e segundo alguns dos transfugas quase que desapareceu o exército da resistência restando apenas um pequeno núcleo nomeadamente os filhos do chefe limitando-se a fazer trabalho de agricultura ou vendendo mel no mercado. 

Por seu lado, no semanário, JEUNE AFRIQUE, destacamos República democrática do Congo: Tshisekedi pode controlar o seu exército? Sob a pressão de Washington, o chefe de Estado da RDC poderá ser forçado a afastar os generais e altas patentes visados por sanções internacionais, enquanto não vier uma reforma de fundo das forças armadas. 

Convocado em fins de fevereiro e ouvido pelo conselho nacional de segurança, o general, Muhindo Akili Mundos, comandante da região militar do Sul-Kivu e Maniema, pode vir a ser alvo de uma sanção disciplinar. 

Desde o seu último posto em Bukavu, nas margens do lago Kivu, que essa alta patente é ameaçado por sanções europeias  pelo grupo de peritos da ONU por ter participado no recrutamento de milícias. Por outro lado há várias semanas que quadros do aparelho militar próximos do antigo presidente, Joseph Kabila estão a ter problemas como o general, Fall Sikabwe que compareceu perante um conselho de disciplina, acusado de desvio de subvenções destinadas à tropa; 

Há pois cerca de um ano que Tshisekedi tem as mãos atadas recusando por prudência a recorrer às suas prerrogativas constitucionais de nomeação. 

Uma coisa é certa. Tshisekedi está sob pressão e quando estava anunciada uma visita a Kinshasa em fevereiro do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, foi finalmente Peter Pham, enviado especial para os Grandes Lagos, que acabou por efectuá-la, com Pompeu a privilegiar na mesma altura uma visita a Angola, onde Washington sublinha os progressos em matéria de luta contra a corrupão. Foi portanto um sinal importante dos Estados Unidos à RDC de que esperam verdadeiramente mudançss, sublinha, JEUNE AFRIQUE.

Enfim, uma nota literária, o escritor moçambicano, Mia Couto, de passagem por Paris para o seu último livro "As Areias do Imperador, afirma ao LE POINT, que "para ele ser biolólogo e escritor é a mesma coisa. O que procuro na escrita e enquanto investigador é entrar em conexão profunda com o que não é visível mas que é essencial e nos liga à vida." Para quando o Nobel?, para este autor moçambicano que publica seu novo romance ancorado na história colonial do seu país natal e de Portugal dos seus antepassados, pergunta, LE POINT.

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