Imprensa Semanal

Violência e racismo nos Estados Unidos, em França e no mundo

Áudio 04:21
Violência e racismo nos Estados Unidos, em França e no mundo
Violência e racismo nos Estados Unidos, em França e no mundo © João Matos

Abrimos com COURRIER INTERNATIONALE que destaca em capa América revoltada.  Face a um presidente que atiça divisões contra a violência policial e o racismo nos Estados Unidos, as manifestações estão para durar.   

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Com a morte de George Floyd, a revolta dos Black Lives Matter, Vidas de negros contam, parece querer durar até às eleições presidenciais de novembro, escreve The Atlantic, retomado por COURRIER INTERNATIONAL, que continua, citando The Financial Times.

Obcecado pela sua reeleição,Trump atiça divisões e a cinco meses das eleições o chefe da Casa Branca está disposto a tudo fazer para alimentar a discórdia entre os americanos. Mas esta estratégia poderá não dar resultado. Reagindo às manfiestações de Minneapolis, Trump, tuítou, quando começarem a pilhar, começaremos a disparar.

Por seu lado, L'EXPRESS, replica, em capa, e no fim de tudo é Trump que ganha. É no caos que Trump se sente bem. Num país rasgado pela morte George Floyd, Trump, parece ter entrado em desgraça. Mas é esquecer que o presidente americano adora o conflito e a confrontação.

Nada, nos diz pois que ele não seja reeleito, já que ainda faltam 5 meses até 3 de novembro e tudo pode acontecer, com ele a alimentar esta guerra permanente com a comunicação social, onde tem de ganhar obrigatoriamente, devido à sua agressividade que destabiliza tudo e todos, afirma  o psicólogo McAdams que acaba de publicar o livro, "The Strange Case of Donald J. Trump: a Psychological Reckoning, "O estranho caso de Donald Trump. Um diagnóstico psicológico", acrescenta, L'EXPRESS.

LE POINT, dedica o seu editorial ao racialismo, o bom racismo de esquerda. Os racialistas, descoloniais e indigenistas importam a sua ideologia de universidades americanas e vão marcando pontos como demonstram as manifestações contra o que chamam violência policial em França após a morte do negro americano, George Floyd. Para o inferno, os grandes autores como Platão, Molière ou Darwin, encarnações da sociedade ocidental tão odiada.

Nas universidades dos Estados Unidos, últimas fortalezas marxistas do planeta com a Universidade francesa, a moda é cada vez mais para culturas alternativas ou marginalidades discriminadas.

Aimé, Martin, acudam-nos, porque estão doidos! Só nos resta procurar reconforto junto de grandes figuras do antiracismo como Martin Luther King ou o martiniquês, Aimé Césaire, sumptuoso poeta anti-colonialista, anti-dogmático e universal que escreveu: "há no olhar da desordem esta primavera de hortelã e do zimbro que se esvai, para sempre renascer na irradiação da luz", sublinha o editorial de Franz-Olivier Giesbert.

Mas, LE POINT, faz também referência a manifestações em França, sobre o jovem Adama Traoré, morto numa esquadra da polícia em 2016, e erigido em símbolo da violência policial. Uma realidade mais complexa do que aquela de denunciada pela irmã e família de que o jovem foi morto asfixiado por agressão de 3 agentes policiais, que reconhecem no entanto terem imobilizado brutalmente no chão o jovem antes da sua morte, acrescenta, LE POINT

L'OBS, faz a capa com o actor Omar Sy, afirmando que a violência policial interessa a todos tendo lançado uma petição online cujo objectivo é de obter 200 mil assinaturas. Finalmente, a palavra ficou livre e toda a gente viu grupos no WhatsApp e Facebook, afirmações de ódio e de racismo de polícias que são legais. Não estamos a inventar monstros, o medo existe, sublinhou, o actor Omar S, num exclusivo ao L'OBS 

A terminar uma nota literária, com COURRIER INTERNATIONAL, sobre estes autores que se mobilizam para serem editados em África. São escritores francófonos dos Camarões, Togo ou Guiné, editados por franceses que continuam a controlar a difusão e o mercado.

Nas livrarias africanas não se encontram os classicos e os autores contemporâneos têm dificuldades em ser lidos em África. A presença dos franceses é uma herança dos tempos colonais que se perpétua, na ausência de editores africanos.

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