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Líbano comemora 100 anos da sua existência com Presidente Macron em Beirute

Bandeira do Líbano que comemora 100 anos com capital Beirute devastada pela explosão há um mês e presença de Macron
Bandeira do Líbano que comemora 100 anos com capital Beirute devastada pela explosão há um mês e presença de Macron REUTERS/Hannah McKay

No dia em que o Líbano comemora 100 anos da sua existência como República, o povo libanês foi para as ruas relembrar que faz hoje um mês desde a explosão mortífera que ocorreu no porto de Beirute e que devastou uma parte considerável da capital. Isto acontece quando o Presidente francês, Emmanuel Macron, está em visita ao Líbano.

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Várias centenas de libaneses reuniram-se esta tarde na Praça dos Mártires, na capital, Beirute, para mostrar uma indignação colectiva contra a injustiça em torno do caso da explosão no porto. Muitos apontam o dedo à classe política, incluindo o presidente Michel Aoun, acusado de negligência pelo povo por ter conhecimento prévio da existência das 2,750 toneladas de nitrato de amónio no armazém no porto. Aoun rejeitou estas acusações num discurso no passado Domingo, declarando que as suas mãos no processo estão limpas.

Durante a manifestação houve ainda a leitura de uma carta aberta por parte de membros do movimento revolucionário ao Presidente Emmanuel Macron, de momento em visita oficial no Líbano, apelando para uma intervenção internacional na criação de um novo governo libanês independente e isento de influência da classe política actual.

Mais tarde, parte dos protestos passaram para a área do Parlamento onde houve confrontos entre alguns manifestantes que arremessaram pedras contra os edifícios governamentais e as forças policiais que responderam com gás lacrimogéneo.

Desde o fatídico dia de 4 de Agosto, milhares de voluntários têm m enchido as ruas de Beirute e contribuído com a sua ajuda a assistir feridos e a reabilitar os espacos afectados, depois de terem antecipado a ausência de ajuda humanitária ou organização logística por parte do governo, que nunca ocorreu durante este mês.

Milhares de libaneses continuam a necessitar de ajuda humanitária na recuperação das suas vidas depois da explosão. Muitos libaneses têm deixado o país e procurado uma vida melhor no estrangeiro e os que permanecem vêem com cada vez mais angústia um futuro precário e imprevisivel.

Com um passado turbulento marcado por 15 anos de guerra civil, ocupações Israelita e Síria e uma situação sócio-económica cada vez mais fragilizada e agora no rescaldo do trauma causado por uma explosão que matou quase duas centenas de pessoas, feriu milhares e deixou 300.000 cidadãos sem casa, os Libaneses tiveram hoje poucas razões para celebrar os seus primeiros 100 anos de existência.

De Beirute, o jornalista, João Sousa.

Correspondência do Líbano, 1/9/2020

 

 

 

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