Imprensa Semanal

Antigo PM francês Jospin afirma que eleição de Macron enfraqueceu sistema político

Áudio 04:14
Antigo PM francês Jospin critica sistema político e define condições duma renovação da esquerda
Antigo PM francês Jospin critica sistema político e define condições duma renovação da esquerda © João Matos

Abrimos esta Imprensa Semanal com L'OBS, que titula, Jospin que pensa que Macron tem um chip anacrónico.  Em 2017 houve uma estrondosa reviravolta no sistema político francês e a situação não melhorou porque há insatisfação no país. 

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Durante muito tempo enquanto membro do Tribunal constitucional, o antigo primeiro ministro socialista, respeitou o direito de reserva, mas, agora, numa longa entrevista ao L'OBS, analisa, o enfraquecimento do sistema político e define as condições duma renovação da esquerda entre ecologia e justiça social.

Jospin, disse que uma vez terminado o seu mandato de 4 anos na instituição constitucional, recuperou a sua liberdade de expressão para dizer nomeadamente que em 2017 houve uma estrondosa reviravolta no sistema político francês e a situação não melhorou porque há insatisfação no país.

Sobre a eleição de Macron, o antigo primeiro ministro afirma que é preciso não se esquecer o quadro em que ele foi eleito, referência ao afastamento da corrida presidencial de François Fillon, devido a um escândalo financeiro, que ele teria ido à segunda volta e hoje era ele o Presidente da República, porque ganharia eleições. E se o presidente cessante François Hollande tivesse mantido a sua promessa de ser candidato, Macron, não teria ganho a primeira volta porque uma boa parte do eleitorado socialista não teria votado nele.

Macron é um jovem cheio de energia, talentoso, mas ele enganou-se sobre a sua verdadeira força, pois, só conseguiu os votos de 24% dos franceses. Jospin, diz ainda ao L'OBS, não conhecer Macron, que viu só uma vez na apresentação dos votos de ano novo, mas que o observa a agir a comportar-se e que é um homem que o deixa muito intrigado. 

Por seu lado, L'EXPRESS, destaca na sua capa, Islamismo, vivemos num terror intelectual. Cinco anos depois dos atentados de Charlie Hebdo, a ex-jornalista franco-marroquina, Zineb El-Rhazoui, denuncia um clima de terror intelectual levado a cabo pelos radicais islâmicos e os seus cúmplices. Deixou de haveer contradição possível entre os defensores do islamismo e aqueles que os criticam já que estes últimos têm um kalachnicov apontado à cabeça. 

Liberdade de expressão amordaçada e terrorismo intelectual 

COURRIER INTERNATIONAL, faz a sua capa perguntando se ainda temos direito de não estarmos de acordo, para analisar a liberdade de expressão em torno da defesa das minorias, censura de personalidades ou a censura que impede o debate livre e aberto.

O filme "E tudo o vento levou" retirado de plataformas digitais "streaming", um chefe de redação do New York Times forçado a demitir-se por ter publicado uma tribuna ultraconservadora tida como uma ofensa, estátuas demolidas um pouco por todo o mundo, artistas acusados de apropriação cultural convidados a pedir desculpas, há alguns meses que um tsunami se abateu nos sectores da cultura, história, comunicação social mas também no simples cidadão.

É um fenómeno chamado "cancel culture" ou cultura de apagamento da história que consiste em censurar, boicotar ou humilhar publicamente personalidades que defendem uma opinião diferente ao politicamente correcto sobre o racismo, o sexismo ou a homofobia.

Mudando de assunto, o mesmo COURRIER INTERNATIONAL, retoma de Sunday Times de Joanesburgo, Zimbabué, a impossível fronteira. Construída às pressas por causa do Covid-19, a barricada fronteiriça com a África do sul já está a cair aos bocados.

Confrontados com uma inflação recorde milhares de zimbabuanos vão à procura do ganha pão no país vizinho. Três meses e meio dos primeiros buracos no muro de arame farpado, as brechas se multiplicam e nalgumas delas pode passar um camião. Um polícia de fronteira do lado sul-africanoo afirma mesmo que têm videos gravados onde vêem pessoas idas do Zimbabué passando pelos buracos entrando na África do sul, acrescenta, COURRIER INTERNATIONAL.

Enfim, LE POINT, aproveita a próxima temporada das feiras para fazer a uma capa com os vinhos, como ter uma boa garrafeira, seleccionando os bons e verdadeiros vinhos e pondo de lado os falsos.  Também, o semanário, CHALLENGES, que pelo contrário, faz a sua capa, com as boas relações entre França e Alemanha, traz, na sua rúbrica de empresas, um dossiê sobre as feiras de vinhos, com, um detalhe importante: no topo da página duma selecção de vinhos, uma bela fotografia da ministra delegada para a igualdade e diversidade, a franco-caboverdiana, e esta frase, encontro para o café da manhã, com Elisabeth Moreno. 

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