Eleições EUA

“Probabilidade da vitória de Biden é maior que a de Trump”

Donald Trump e Joe Biden disputam a Presidência norte-americana.
Donald Trump e Joe Biden disputam a Presidência norte-americana. AFP

Joe Biden lidera a contagem dos votos nas eleições dos Estados Unidos com 238 delegados no Colégio Eleitoral contra 213 de Donald Trump. Todavia, o resultado final das eleições presidenciais está ainda longe de ser fixado, com vários estados a precisarem de mais tempo para contar os votos por correspondência.

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Para vencer as 59ª eleições norte-americanas, o actual Presidente e candidato do Partido Republicano, Donald Trump, ou o candidato do Partido Democrata, Joe Biden precisam de eleger pelo menos 270 dos 538 delegados do Colégio Eleitoral.

Para Álvaro Vasconcelos, especialista em relações internacionais e geopolítica os resultados até agora divulgados mostram que “a probabilidade da vitória de Biden é claramente maior que a de Trump”.

O ex-director do Instituto de Estudos sobre Segurança da União Europeia sublinha ainda que este compasso de espera pelos resultados e a contestação por parte de Donald Trump “criam uma tensão enorme” que poderá degenerar e provocar “problemas graves do ponto de vista da segurança e confrontos”.

 

RFI: Que conclusão se pode tirar dos dos resultados?

Álvaro Vasconcelos: A primeira conclusão que se pode tirar dos resultados que se conhecem até agora das eleições presidenciais é que a probabilidade da vitória de Biden é claramente maior que a de Trump.

Trump, o que é gravíssimo, está a tentar impedir a contagem de votos por correspondência porque sabe, como as tendências mostram, que isso levará à sua derrota. É algo que ele [Donald Trump] não aceita e tentará impedir por um “golpe legal”, mas é muito difícil que o consiga porque os Estados Unidos são um estado de direito e não haverá resultados enquanto não forem contados todos os votos.

RFI: Este dia seguinte sem vencedor é o pior dos cenários que poderia acontecer nestas eleições?

Álvaro Vasconcelos: É um dos cenários mais perigosos. Se Trump tivesse perdido na Florida teria perdido as eleições e não haveria esta necessidade de contar os votos por correspondência na Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, etc, que ele [Donald Trump] está a contestar. Mas os votos por correspondência são absolutamente legais.

Dada a polarização que existe na América, um Presidente que faz um discurso dizendo que é preciso parar a contagem dos votos e que estão a falsear os resultados cria uma tensão enorme. 

Os apoiantes de Trump são dos sectores americanos mais armados, existem milícias e grupos de extrema-direita prontos a irem para a rua em defesa de Trump e isso cria uma situação que pode ser extremamente grave.

Apesar disso tudo vai-se confirmar a vitória de Biden e Trump acabará por sair da Casa Branca, a bem ou a mal, mas sairá da Casa Branca.

Outro aspecto extremamente importante é que os democratas não vão ganhar o Senado. O cenário mais provável é termos uma Presidência Biden com um Senado controlado pelos republicanos. Uma situação parecida com a de Barack Obama, que não conseguiu pôr em prática uma parte significativa da sua política interna.

O presidente tem uma grande latitude de acção na política internacional e aí veremos mudanças muito significativa com a presidência Biden. Mas do ponto de vista interno, a agenda Biden será muito difícil se o Senado continuar a ser republicano.

RFI: Que consequências podem as palavras de Donald Trump ter nas ruas?

Álvaro Vasconcelos: As consequências podem ser extremamente graves. Se o voto se confirmar a favor de Joe Biden, isso criar um quadro legar ao candidato que ganhou as eleições e o apoio de uma parte significativa da sociedade. 

Mas os grupos mais radicais da extrema-direita americana, supremacistas brancos, ‘trumpistas’ dogmáticos, convictos e radicais, vão considerar que a eleição foi roubada. Dirão que o ‘deep state’ impediu a vitória de Trump e poderá haver problemas graves do ponto de vista da segurança, confrontos.

Cedo ou tarde, Trump terá de sair da Casa Branca e sairá a bem se perder as eleições.

 

 

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