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Brasileiro negro espancado por seguranças de um supermercado de Porto Alegre provoca indignação

Brasileiro negro espancado e morto por seguranças brancos de supermercado no Porto Alegre
Brasileiro negro espancado e morto por seguranças brancos de supermercado no Porto Alegre REUTERS - EDGARD GARRIDO

A morte de um brasileiro negro, João Freitas, de 40 anos na quinta-feira por seguranças de um supermercado que faz parte do grupo francês Carrefour, no Porto Alegre, está a provocar emoção e raiva no Brasil e no mundo. A vítima enterrada hoje, foi espancada até à morte por 2 agentes brancos de segurança do supermercado e o vídeo a circular nas redes sociais provoca indignação, no Brasil, um país que vive do mito de exemplo da mestiçagem no mundo.

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Grande emoção ontem no Porto Alegre no sul do Brasil, no enterro de João Alberto Silveira Freitas, um negro morto depois de ter sido espancado por agentes de segurança brancos de um supermercado do grupo francês, Carrefour.

"É uma imensa tristeza, não desejo isso a ninguém, e não consigo reter as lágrimas", disse, João Batista Freitas, pai da vítima de 40 anos morto na quinta-feira, véspera do dia nacional da Consciência Negra. 

O malogrado João Freitas foi enterrado durante cerimónias fúnebres em que participaram um grupo de cerca de 40 pessoas sobretudo familiares e alguns membros da assembleia local neste período de crise do coronavírus.

As imagens terríveis de um vídeo a circular nas redes sociais chocaram a sociedade brasileira e o mundo vendo a vítima espancada por um segurança no parque de estacionamento do supermercado enquanto outro agente o mantinha imobilizado.

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, minimizou o problema do racismo estrutural no Brasil

Ontem, durante a conferência virtual do G20 na Arábia saudita, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, minimizou no seu discurso o problema do racismo estrutural no Brasil, um país sempre promovido como o exemplo da mestiçagem no mundo. 

Jair Bolsonaro, insistiu no mito da mestiçagem, denunciando aqueles que querem "semear o conflito e a discórdia tentando impor tensões raciais que não fazem parte da história do Brasil"

Por seu lado, Mateus Gomes, deputado de esquerda na Assembleia legislativa do Porto Alegre, que esteve ontem presente nos funerais do brasileiro negro, João Freitas, reagiu dizendo todos sabemos "o quão é difícil despertar consciências, porque os inimigos do combate contra o racismo estão actualmente no poder".

Enfim, ontem à noite houve manifestações de várias centenas de pessoas em frente ao supermercado do Porto Alegre e em várias outras cidades do Brasil para condenar o assassínio de João Freitas e o racismo no país.

Brasileiro negro morto por seguranças brancos de um supermercado do Porto Alegre

 

 

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